21 fevereiro 2011

All

Descende sobre nós. O frio imaginário da manhã que incinera lá fora: aqui o ar condicionado é cinismo dos clubes que fazem o bem. Pela janela vê-se o Parreiral exíguo de si; seus horrores escritos aniquilam a ganância com o sal dos braços emplastados sob o Sol. Serpenteava entre animais, ogros, motoboys, vizinhanças coloquiais sentindo a carne da batata da perna repuxar sob a gaze, da qual uma fita cirúrgica me faz a forçosa depilação quando é arrancada antes do banho. Motocicletas são como as palavras, ariscas de pegar. Finjo que aprendo a lição de casa hoje para a professora de línguas; Péssimo aluno, lembro que dessa lição crava na memória evocada por um apelido onde me estanca sem metáfora possível. O Garoto precoce foi vendido para a multinacional em Vila Velha, é tempo de finalmente utilizar a banda de Moebius; o primeiro Teorema de Euler, de 1750, traga inspiração. Virão os sofistas do pós-moderno, os consultores da paz corporativa, os hipócritas centro-esquerda,.. oh, get a Life. É na realidade que retornam os monstros que foram re-calçados nos sapatos encharcados do último inverno. Semáforo da Norte Sul. Ardo na dicção seca, olhos sorridentes, dedos compridos de uma indecência. Espero abrir o portal para a corrida, e pelos campos a música do Air, no Moon Safari, é uma trilha sonora daquela gananciosa vontade, I need.

17 fevereiro 2011

Saraiva

Os poemas de Sylvia Plath que ficaram comigo, desde a leitura do poema Ariel, agora fazem uma lua de sangue. Também comecei a ler Virginia Woolf, que comprei na Saraiva -- um porto de pensamentos desde o centro do Rio, onde tinha café; Aqui no Shopping Vitória ainda não. Depois que paguei 6,50 de estacionamento, falei pra moça, Isso é roubo. Fala desesperançada, como quem reclama com a moça do telemarketing, Helena (quem diria,)..: Ela anunciara noutro texto que para a minha segurança a ligação estará sendo gravada. Não posso falar agora porque estou com a batata da perna queimada; cano de descarga da moto. Hora da gaze.. O setor de Musica é bem na entrada, onde fico saboreando edições dos Beatles e procurando Songbooks do Chico Buarque pra desobedecer, mas não tem nada para os jovens à vista. Onde estou. Mix de Produtos dos Tempos. Corro, na saga setentista dos motores carburados, a moto Naked no corte da praia me faz louco no Sol eclesiástico enquanto os pelos pretos dos braços tentam voar libertos do protetor Loreal. A vida é doce nada, Lobão. Mas como é gostosa. Assim que desligo, rememoro meu dia trabalhador braçal do mar de tinta sobre a bancada angelim pedra. Pedra sim. Homem démodé ouvindo Rush, Armor & Sword. Vem do abissal teu corpo e coxas sob vestido verde nas palavras de ontem às 15:56 pm, Virar a página quando existe o círculo concêntrico, e a grande força (lá o que seja isso) nos vem sobre o dia, antes de a possuirmos. Quando chego já não existe mistério: A coisa é vencida sem dignidade, algo que fica por si, é nada. Sem Nome, o que não tem nome é antes de nós. Assim o caminho inexorável se faz, enquanto os passos vão adiante numa esteira de academia: a imagem que a vence é como a plantação de várias delas nesse descampado do parreiral em meu caderno de desenho, onde nasceriam.. máquinas de si, do chão gramado igual totem do 2001; entronizando cada qual sua natureza estranha impossível, como se fossem as coisas sem palavras e sem significado.

14 fevereiro 2011

My Funny Valentine

Each Day Is Valentine's Day

09 fevereiro 2011

Das superfícies aos nós

Noche. Lua que parece taça virada. Homem bicicleta que passa na rua camisa dessa cor. Varanda para o sul contra o vento sem cigarros. Cabelo molhado, o calor coxa contra coxa por trás quanto a Musa se entrega à tentação de me amar. Vôo nas asas negras de uma praia vasta, descendo a escadaria com o lixo seco para ir até a esquina onde o vizinho nazista treina o herói Pit Bull. Respiro fundo porque ser homem é encarar com respeito a corporação criminosa que as mulheres fingem querer aniquilar, coço o saco com prazer e sem esperança. Homem de Havaianas, perimetral; Evoé. The Thrill is gone, Chet. O verbo transitivo encaracolando em meus dedos, cabelo que a gente atravessa com dedos abertos, pra ir até a raiz, agora é um amor que o corpo entendeu. ...e lá longe não há Ítaca perdida, só a esperteza do ulissesTupi que se dói. A negra oração substantiva noturna, camisa rasgada estampa Matisse Cinema Estação dará à fase Jazz contorno à décadence ainda no sentimento da minha pegada dj no supermercado Carone, lá perto das dez da noite. É quando fecha o anfiteatro da classe média de produtos num solo de David Gilmour para o entronizado desejo sussurrar The Wall em teu ouvido, por trás de vc. Homem individual bermuda indiana jones Tupiniquim sem sinto Hèrmes, aproveito se a Musa olha num anúncio de Shampoo e digo, Não sou Homero. E ela, Eu sei.. Vem, me força. O meu nome não é Dora. ...se acordo meio da noite, não escrevo romances. No escuro, tenciono vogais no adensamento de canções contra as quais lutei últimos 2 anos; assim no i-Tunes me absorvem o suor das costas, o som do trem cheio de minério, mentira, terra, verde musgo. O abafamento, o antialérgico, o vinho, o corvo Never More amadurecido.

04 fevereiro 2011

Plástica

a tarde
vencida pelo sal do corpo
espera
pelas folhas brancas
de tuas cartas
quando voarem
lavradas
por teu choro
em meu peito nu sem coração
então minha voz em teu ouvido
ficará
quando a noite das eras
de mim também segredar
as palavras
com as quais errei

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