....flanando com imagens de cidades, tempos, bairros. Sem alento para a previsão meteriológica, sem palavras que não sejam as dos anúncios. Desenvolvimento sustentável. A forma do romance? seu trabalho faz suar a Helena sem memória, (mas As Musas são memória), e sua inexistência é perda e tempo; outros mitos sem alucinação contudo hoje nos ganham. Não podem fazer-nos corar o rosto no ir embora fatal, inexorável. Gritar. Sua forma é recorte e nunca mais, escuridão literal da noite: eis a literatura, eis o tempo dos Rimbauds (Les maisons sur l’azur léger qui s’irradie; Chega também), eis a forma neopagã: xoudaXuxa, Gugu, Jornal Nacional, Lula lá brilhaumaestrelanoveladasoito que ensina. O outro vindo de sua ignorância sobre nós, preso em si. Cinema de morte e catchup. Os nomes das ruas que nós pisamos trazendo barro vermelho no tênis All Star. E os artistas de revista não querem saber de índios suicidados. Uma verdade existem muitas. Frases gastas, paiol de escribas repetidores, mudos que se relacionam com a surda academia, suas palavras sem cor negra, seu madeiro sem dor, seu Jesus de Banksy crucificado em bolsas de Shopping. A língua sem mesquinhez, sem erros, nasce em poetas que vieram dar mais sentido à higiênica poesia de Olavo Bilac, fazer a corte à mesa de homens marciais. Quando vendemos que a verdade está em nós acabamos por lapidar e oferecer a pedra à Sísif...
28 março 2008
20 março 2008
Sujeitos
o nome ocultado quer prender o sujeito. Mas o verbo desconjurado ganha. O substantivo enluarado em ajetivo é frase flexionada, está no corpo. E a rapariga de vestido laranja tem um fogo submerso. Abusa de ser boa, rebola num gosto de manjericão o corte de texto que o poeta depois imprime, sente com a boca. Novesfora, uma matemática desesperançada reclama pontuação, pede força onde dói. Mas o carinho perpétuo das mãos sem alma faz de maldade o caminho de um barbeador no rosto. Sem letra maiúscula uma vírgula diz no ouvido que assim morre, que é bom errar, deixar o tempo vir. Ao largo de acadêmicos letrados, a construção do texto requer uma semântica de sonho, solo de guitarra, tudo que professores tentam tapar. Sem ensinamento possível, a beleza do encontro com a loucura escapa, faz o corpo, a carne, a língua sorverem o avesso de toda classificação, abandona os dois pontos fatais. Sem esperar critérios, a boca pensa poder dizer palavras. Traída pelos fonemas, reclama inexprimível, numa língua fugaz. Por cima dos livros na mesa, até derrubá-los no chão, o homem iletrável equilibra pensamentos de ponto e vírgula, faz contorcer o espaço entretexto até a moça chorar. Quando isso acontece, mesmo vencidas as reticências sem mais assunto, uma verdade ilumina do escuro, aceita versos brancos, respira o fundo possível dos pontos finais.
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