31 agosto 2010

A matemática está nas copas das árvores

Hoje faz 7 anos que ele morreu. Vôo até o sul de Minas, sempre fui preso às ruas em que cresci. Do meu atelier matemágico descortino a tarde e seu cenário desmonta em saudade, até que esvai em cor e nuvem tal qual a estrada para lá me habita.

28 agosto 2010

Vinho tinto

Garrafa de vinho e a noite sinestésica evoa Jeff Beck Boston Music Hall 1976. Phone de ouvido, escrevo em cima de um quadro roxo e preto em várias camadas de cor. Areia, madeira em pó e palavras encrustam a pele do quadro que apanhou com a palma aberta pra dar nuance, tela de fundo noir e sul, menina Londres particular;.. Aqui do meu atelier o cristal com Carmenère sobre a bancada de madeira, que fica borrada de acrílica e base ou goma laca; fita crepe que me colou num plágio. Meus dedos pontas de aquarela, assim fui ao supermercado causa do azeite com manjericão e o cosmos lá em cima desconhecendo o remix da trilha sonora do Anjo Mau nas caixas de som. Entre as gôndolas, o homem contemporâneo em delay escuta com o ouvido de dentro a década de 70, escolhe condimentos e temperos, de súbito na fila do caixa pensa em contos em que os leitores, poucos, já se escreveram.

24 agosto 2010

Apontamentos

som sinestesia cor
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fonemas
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experiência sinestésica
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multitonalidade
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prosa – poema encadeamento de sentidos
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radio
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diário de imagens
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nuvem
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un cósmo
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língua & boca
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lirismo atonal
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cores dos fonemas
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cronologia do leitor
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neurologia cognitiva, arte, física & matemática
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17 agosto 2010

Praça Paris

Na Praça Paris, o personagem abre os braços sob o Sol. Não sabe como chegou lá, motociclista retirando o capacete e a cabeleira de bufão em fuga da escola desenha o vento no ar. Assis, caminhando na outra margem, não o vê nem sabe o que entre eles deflui como rio ou história contada,.. e atravessa em direção à Rua do Bosque, onde as fantasias existem.

Antes de chegar lá, Assis caminha até o Sandero Stepway que um dia pensou em adquirir, quando o inventa estacionado, sendo o imediato carro de mulher bonita com perfume. Segue nele pelas transversais declinando uma rua da independência, imaginando que o Bosque a aguarda qual floresta de chácara em outro capítulo onde estava à passeio na casa de Marina, sua amiga dona de uma perfumaria charmosa que desafia com delicadeza Seu Francisco de Assis, famoso e austero farmacêutico, hoje bem mais maleável.

Já neste parágrafo, ela recebe a ligação de Clementino Castanhari, desconhecido pelo Narrador, que o faz nome de rua. Assis apenas passa por cima de Clementino e o esquece.

Os olhos do Narrador se enchem de esperança quando da esquina seguinte seu carro é ladeado pelo bólido preto do motociclista no êxodo de sua pretérita contemplação. Haverá um sinal bem à frente, e estacionarão lado a lado. Alguns segundos. Assim logo Assis seguirá feliz em frente ao fim onde margeara um dia já a Rua do Bosque, a qual o motociclista não sabe que existe. E ele, como por encantamento, acordará cheio de palavras. Lembrará da silhueta que caminhava pelo outro lado da Praça Paris, que provavelmente já terá sido construída.

11 agosto 2010

Cafeína

Enquanto Eloy falava palavras e gestos, Joana corria os olhos por sua jaqueta, ou tentava se concentrar. A única coisa que notava era sua mão direita empunhada, com uma grande palma, como se fosse pandeirista com raiva. Os olhos de Joana, a voz, a boca, balbuciam uma timidez. O avesso delicioso das coisas é a verdade.

No café ameno a quarta-feira à tarde flanava lânguida, folheada no livro magro em que o Narrador os escreve. Eloy, Joana, nem de si sabem se lêem ou escrevem insuspeitas cartas, quais sejam essas tardes, algo que tentam descafeinar no sonho. Sabem que existe um Narrador, que também sabe que eles já o prevêem. Eu vírgula os observo atento ao fato de que o Narrador que os decifra me reconheceu.

06 agosto 2010

17 junho 2010

a noite desmonta
o relógico
sem luz,
caneta cinza...
ninguém quer um livro de poemas

somente os apaixonados
respiram estrelas

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