25 junho 2008

Soir historique

O Vento Sul roça nas árvores sem cerimônia, lambe num corte a praia toda. A tarde concentra uma luz efêmera no rosa que mancha e molha no fim do mar. Sufocado pelo jato que decola, o silêncio de muitas gerações espera a cidade tremer o corpo, depois a penetra de impiedade, paixão. A luz vai desaparecendo de si banal e leve de doer nas ruas abertas o que o escuro virá apagar.

19 junho 2008

pontos finais

Stay little valentine stay / Each day is valentines Day
Rogers & Hart
Homem só E o coração é o bombo fofo A vida começa aos 40 As passeatas se foram no escuro até perderem decurso Mnemósine espera lá no fim do túnel de cinta liga A memória querendo hardcore A praia não esclarece o poente ou fica de sal em sal sempre pó em palavras De repente atravesso sem i-Pod ou som tão simples não frágil sim, meu peito igual de herói Heróis não existem mais ou pelo menos aqueles que tinham fantasia morreram na Sessão da Tarde O tempo errado me atravessa e corto pedalando no contravento nordeste a ilha tacanha cultural piranha congada de praia noturna E agora que o atlântico e estranho novelo de desbravadores virá Hora em que o petróleo de homens sem decência será sustentável E o furo assim no presente sem pressentir da recordação o igual na geração perdida acender na geral a gritar pro gol de placa na Rave neopagã, porque aqui no have Maraca, e a cobertura de Rubem Braga em Ipanema para sempre está cravada Aqui meia dúzia de jagunços da academia local tossem a poesia preciosa do bondoso Anchieta cantando as aldeias queimadas por Mem de Sá Homem só E o coração é o bombo fofo O barro vermelho dissolve e num repente recomeça mas esvai As passeatas na Candelária de Mnemósine são memória e tempo ou antes o fim da Praia de Botafogo já inexorável voltando de Valisère, my funny Valentine é Camburi, Stay little valentine stay Each day is valentine’s Day, eu sei A cadeia de tudo, a morte de tudo, teu corte em tudo, o meu alumbramento de braços abertos te agarra a noite E depois o inteiro possível, adentro você de coxa sem lei e sorvo a falta que dá A falta de sal da terra desapieda o mundo dessa noite rosArcelor até que cesse o esse medo O silêncio de tudo te penetra lava dói molha Vale leva teu corpo para mim

07 junho 2008

Cavalos marinhos

los romances muertosCoca
My workinprogresspostcapacete
Big MacMolamboHe was killedconstrutoras
expeculaçãoganânciaclasse médiaOnly God was you only elegance, Wallace Stevensseguros
All StarMoon SafariAll I Needmoto
Kid AArtistasbláblábláArcelorAir
Lei Rubem Bragaopacoalergia
quantidadepadronizaçãoculpaproduçãoDer mond
cobertura na Barão da Torrepanela de barroJoaquim Lírio
teaAcademiaculturaArte
un cósmo


Na outra sala também tem ventiladores Venti-Delta; seres que olham paralizados a manhã de sexta. As janelas de vidro gasto deixam ver o campus encarnado, a beleza de árvores nascidas antes do corte da Avenida Fernando Ferrari. A gripe expressionista faz a leve febre cair por sobre o outono disfarçado, nasço em fotossíntese com uma réstia de sol que invade o lugar num cone de luz para espetáculos. Professor e alunos, tendo feito um simpático e aconchegante círculo ao redor da mesa mestra, falam de cavalos marinhos. Encho a cabeça de palavras, escrevo lentamente sobre o corpo da clara manhã. Lembro do lançamento do meu livro, antes de anteontem, penso em comprar uma motocicleta.

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