30 janeiro 2012

16 janeiro 2012

Amoroso

1. Pesquisa, relatório. Coffee Break. Mylo Kyloto do Coldplay copiado do Marconi; um pedaço do Revolver dos Beatles tempos do Barro Vermelho; a exuberante Everywhen do Massive Attack via torrent. E o álbum Amoroso, João Gilberto da minha infância.

2. O Neoplasticismo e o Construtivismo me interessam, com uma vírgula imensa,;... Para depois bóia aquela música American Horse, do The Cult. Melhor não escutar as vezes.

3. Comecei a ler o Tropicália uma revolução na cultura brasileira, organizado por Carlos Basualdo. E o primeiro dos Diários de Paul Klee; livro que deixei de comprar no Parque Lage e no qual agora, doze anos depois, pus as mãos.

4. Saraiva, és fluorescente, ademais livraria de Shopping,;: não mereces o Dr. Fausto de Thomas Mann edição pocket.

5. Agastado pela erudição objetiva, metodológica, conclusiva.., nado um crawl que se desciviliza uma papelada em maremoto, lanço a salvo o aceno observado da mão esquerda furando o protocolo. À distância everywhen vestirás estas palavras, teu leve adamascado esconde uma silhueta doce no vento alto da tarde. Perfume. Quando coloco o capacete negro fosco fecho uma lógica exígua, pesada. Conquanto me lembre de voar.

12 janeiro 2012

Fragmentos de um discurso

1. A Revista DASartes publicou na edição Nº19 um texto meu sobre a exposição Modigliani uma vida, que esteve no Palácio Anchieta.

2. Comecei a ler a série de livros de Proust (estou no capítulo II dO caminho de Swann) e o livro de Caetano Veloso, Verdade Tropical, que eu nunca adiquiri: Fui à Saraiva do Shopping (o que mais resta?), mas nem a edição de bolso: Eis que o Marconi, aluno que é compositor, poeta, cuja amizade passou a ser parte do legado que o Rui nos deixou já antes de partir há alguns meses, emprestou a edição original. Um livro que não vou devolver na próxima aula.

3. TV, acabo. Quero riscar as paredes. Estou olhando os lápis que meu irmão trouxe do Guggenheim Store; lembrança. Como será o Guggenheim? Estou me sentindo como aquele professor do filme de Kurosawa, Madadayo.

4. A cidade, o caos. Jornal que noticia em subtexto como a policia pacifica os estudantes revoltosos com o preço do buzu; a iniciativa privada kiss me a pax domini. Ordem e progresso, sois o esterco em que a classe média apresenta suas armas; saudade do fim da década de 80 e tome aterro. Nos jornais, os cronistas estão cansados. Não dá pra bancar o José Carlos Oliveira. Vitória é como o Boulevard da Praia..: não é frágil como a Praça do Cauê, não é Santa Helena, não pode ser Santa Lúcia, não tem o charme do Centro da Praia.

5. Antenor ainda não fechou negócio.

6. Mas o melhor que li nesses últimos 5 dias foi o intenso livro de Roland Barthes, que se chama Aula, edição Pensamento-Cultrix, e tem o texto da aula inaugural da cadeira de Semiologia Literária lido por Roland Barthes no Colégio de França em 1977.” É um livro corajoso. ”(…)Mas a língua, como desempenho de toda linguagem, não é nem reacionária, nem progressista; ela é simplesmente: fascista; pois o fascismo não é impedir de dizer, é obrigar a dizer.” Também tem essa belíssima parte: “Entendo por literatura não um corpo ou uma sequência de obras, nem mesmo um setor de comércio ou de ensino, mas o grafo complexo das pegadas de uma prática: a prática de escrever.”

7. A perturbadora frase em um dos 26 filmes de Truffaut: ”A vida é feita de vários fragmentos que não se juntam.”

06 janeiro 2012

Presente

Em frente ao prédio de mármore, conveso com Antenor. Negociamos a viola caipira de 10 cordas. O silêncio da Cel Monjardim sonha a madrugada quando ela cai serena sobre o centro e é quase cidade alta. Estou montado na moto, que eu freio com o pé direito da razão. Capacete negro fosco apoiado na perna direita, aperto a ignição do motor, olho a praça cava num vale e subo os olhos cegos para a vastidão de janelas acesas. Os prédios modernistas escondem a catedral na amplidão conceitual do século xx: despeço-me e acelero, deixo rara para trás a sala imensa que por espaço quase inteiro de tempo abrigou o muco das festas frugais, os diálogos de fome, a rotina feliz das comemorações fartas; jacarandá escuro da porta de duas águas. Enquanto desco o pequeno tobogan da Gama Rosa ladeio aquele boteco que incomoda de noite e que o disque silêncio tampouco modifica enquanto o sonho o aceita pequeno marulho velado que na inconsciência se encantará. Até a Praça Costa Pereira o ronco do motor não me livra da melopéia de frases e palavras, ao mesmo tempo que quase-palavras exatas me acertam em cheio tendo o gosto lépido, essas palavras saborosas. Penso e me escavo por dentro no sinal fechado olhando o Sesc Glória. Boca seca. Depois vôo lento pela Avenida Beira Mar até o sinal do Edifício Ames, onde enfim acelero no asfalto que secou durante décadas. A noite é vazia, possível fricção que engata a sexta marcha sem avant garde. É uma noite deliciosa, um fragmento de discurso que vaga na amplidão para a qual eu faço a tangente vestido com as asas negras nos braços. Teus cabelos de fogo que estavam no poente de Camburi há coisa de cinco dias agora emaranham em meu rosto e diminuo para 130 antes que a curva traiçoeira do Álvares Cabral, junto à quase incógnita associação de malditos superdotados, engula o escuro metálico da minha moto: essa curva em pleno Senai no qual meu pai levava seus alunos de engenharia e explicará durante séculos o funcionamento de misteriosas máquinas na resistência dos materiais até que eu, por mim mesmo, abra o livro de João Cabral entitulado O Engenheiro e o compreenda. Estou sozinho e ganho caminho, desde a juventude conhecido desbravamento do aterro na terceira margem da subestação de Bento Ferrera, que assim me acende lembrança de um sonho enquanto freio no sinal do Hortomercado: Você desembrulhava o presente, embrulho que não acabava mais.. Teu sorriso, antes certeira concentração, agora era uma criança perdida de felicidade e assombro. Eu olhava realizado. Você perguntava como eu sabia que etc; Não lembro, esqueci; Você não me parece esquecer nada; Ah, mas esqueço, esqueço completamente e com detalhes. O presente não acabava, era um passado imperfeito que você desembrulhava. Assim eu soubera que acordarias do imperfeito; do mais-que-perfeito; do futuro do pretérito;,. Intuí que o sonho fosse teu, derramado sono que a cidade guarda de nós em nós mesmos. Por vezes você sustava o desembrulho e me abordava, diretamente, com um sorriso arrebatado. Eu também, impune e sonhando lhe dizia que roubaria teu sonho e sorria com os olhos reconhecendo o gosto de palavras etéreas & carnais. O Palácio do Café passou alado por mim quando eu acelerava pela segunda vez na madrugada vazia, como soubesse o que você me calava, tão perto estávamos agora e silenciados errávamos um pelo outro o andamento de um compasso composto para a nuance dos melismas nas vozes, a dor enfática das cores, o líquido e revelado gosto dos verbos frasais. Momento esse em si acelerado contagiros a lançar o percurso à frente, onde tua voz que eu não compreendia assim me falava, num quase, chegando à curva esquerda que fura o concreto suspenso da Terceira Ponte como uma grande onda; foi nesse momento que acordei. Estava na sala do apartamento dos meus pais, gasto do horário sobre o sofá em L que faz um dos ambientes. Quase meia noite, vou pra casa; Vou descer e pegar a moto na garagem; E aproveitar que hoje a portaria é do Antenor, ele está comprando minha viola de 10 cordas;...

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