31 dezembro 2004

A Pesvã Erron o Balhatro

Existe um fotógrafo que nos rouba piores imagens. Aquele momento contorcido; susto mudo, ruga de amanhã. As fotos estacionam lentamente na mesa de fórmica do profissional, erre agá. Essa entrevista nunca completa, ao contrário da ordem diária o leito do mundo está pronto; o defunto é teu; deitarás divã filosofia. A sessão da tarde espancada já foi ao voltar, serás morto da peste trazida por ela novamente ao interlocutor. Você já trabalhou em equipe? A si mesmo perguntas como derramam ácido no estômago; lá fora gritam pamonha num alto-falante.

Antes da sala a espera. Tudo era (o quê) antes dela. As revistas sob a mesa de espelhos no centro já mostram as fotografias que o entrevistador ainda usará. “Tudo está (rilkeanamente) repousado”. A flor e o livro que enfeitam a sala de espera são..: plástico ao lado de um manual de procedimentos. Vês, há ainda alguém à tua frente. Antes de sua entrada para a entrevista, essa pessoa olhou nas revistas sob a flor de plástico aquelas fotografias onde erre agá o teu desejo de partir.

Tu sabes que à diretoria apegam-se resultados práticos, ervas comezinhas, lampejos de mesquinhez ao evocar pela competição o espírito de equipe. Entrarás pela porta que abre o cenáculo dos (agora são vários) entrevistadores, logo após teu antecessor contarás histórias. Tuas mãos correm as páginas o quanto procuras pelas suas fotos na revista da mesa de centro para, também, usar a astúcia; ela, contudo, revela somente tua vida cheia de momentos. Quando buscas outra revelação que não seja tua.., desesperadamente achar que não apenas os teus desenlaces fazem irar ou cessar o grande César Romano, o seco à garganta lambe o vinagre azedo que anuncia onde estás, de braços abertos.

Entrarás, contarás histórias. No fundo, contudo, sabes... teu desejo é partir. Erre agá.; Voltar, ir desaparecer, (erre agá), errar e rir. Durante toda tua vida soubestes da enseada imune a fazer morada no desejo de ganhar o mundo naquele mar de erros. Ao chegar sob a mira do setor no departamento esguio, mostras do olhar, religiosa, a face. É lívida a motivação. Quando a porta abre e apresenta o dejeto da última entrevista teu antecessor atravessa do triunfo a sala de espera. Ao passar por você o leve cumprimento, olha de soslaio para as revistas que estampam a mesa, acalentadas pela mínima refração que os vidros fazem nesses ambientes.

28 dezembro 2004

Os Camaleões

Pedra de rasgar sonho no vento de Hermes cicatriza asa do que o muro implica uma malícia. Os muros são de espelho...; feras pré-históricas caçam o resto da bondade presa a daninhas ervas. Calango atravessa o terreiro numa secante mergulhada e espanta o pássaro que bicava, cisco branco. O meio desse campanário é o deserto que o herói atravessará até a caveira que não responde aos adolescentes.

O nada doEnte devorou o vaso de tempo em cabeça pra baixo; dia de guerra. Heidegger está solto de tarde sem pedir desculpas. Do rastejante cascudo o sim diz ao calor insuportável; desvelando o ócio de angústia dos que vêem o muro cercar em ilha as árvores que fazem despencar asteróides; esses caem completamente,.. salutar a refeição de voadores que vêm da liberdade lamber o podre necessário.

As vezes o bicho pula do muro e abocanha uma virgem. Depois, a conferência dos grandes, meio do campo em corolário, alicerça a nova patente do oficial. A maldade, amigos, não tem hora para acabar na cama; o rasgar do sonho fura dentro e faz tanto sorrir depois. Os camaleões estudam movimentos do terreno, contorcem com gravidade deslocando o pescoço para a diagonal imprópria até fazer corar.

A experiência ensina uma selva. Costumes, Entulhos, Umidades, Abandonos, Papéis, Inimigos, Histórias, Ameaças, Traições, Vícios, Árvores, Comidas, Olhares, Fêmeas, Vazios, Conquistas e Estratégias para o domínio de um quintal.

..; é preciso ganhar espaço para as laterais..; o que vai trabalhar..; você vai encostar naquela parede até um canto dele lá..; você já fez uma parede ali..; só tá faltando espaço..; ahnran... seisei... ..; quando é que o cara ajeita o negócio lá..; você já tentou entrar na internet?..; se... tem algum... se..; sim..; é autorizada, se ela dá..; alguma coisa?..; umrum..; sei..; simnão..; naquela lá ele já ta mexendo.?..; pois é... (amigo)..; ah, é?..; umr..; ele desistiu..? (rindo)..; pois é, cara..; argh..; agora agente pode..; perdeu, perdeu..; nãosim..; perdeu..;


14 dezembro 2004

Mumificação

Depois de vários anos sentado na poltrona, Paulo Durro está rijo. Foi um processo lento, persistente. Ao início da terça-feira seca, é Múmia. O homem morto em ilha drummoniara.

Sem qualquer conhecimento desta literatura Ellizete de Santa Luzia caminha pelo escritório na certeza de seus 16 anos, doce escuridão. Toda manhã ela fugiu de casa deixando a mãe ouvir de Roberto que são tantas emoções. Ser igual é o desespero da castração encarnada. Durro sentado à mesa desespinha um cacto e sibila o desejo lânguido de adolescentes estagiárias.

Acima do céu nublado um 737 desarma sonhos e déspotas. Lança para fora da cidade. Pontua numa análise morena. Esmaga sem boca a língua burguesa. Atravessa o Largo de bicicleta. Brinca com fotografias. Estanca toda uma linguagem.

O narrador sonha com esse avião,; sem palavra ou carta náutica atravessa a nuvem úmida de eletricidade. Do chão ameno os transeuntes não podem saber com um olhar que se esvai para o céu sem penetrar uma abóbada opaca.

Os olhos de Juliana são lindos; ágeis, mudam de cor rapidamente. Esperta, usuária do Mac; sorri os braços até seu herói vestido de cinza e camisa da Richard´s. Chega de surpresa pra visitar o pai italiano, chefe suportável que Paulo faz em dança de pajé quando chama a chuva bem vestido que é, elegante mumificação. Dr. Mauro Castro assina o cheque sem culpa; ela moça sorri que os olhos diminuem para caçar o Paulo Durro no escritório. Mesada feliz que escapa e tem sangue no horizonte. Ellizete de Santa Luzia cai do mundo preto até a relva loura que a moça espalha púbere junto ao olor em semínimas de Paloma Picasso. Saracoteia um pouquinho a ante-sala e encontra seu caçador empalhando telefones, camas e serpentes.

Paulo Durro está imóvel e ao contrário aéreo sôfrego sabe que a esquerda nunca é livre, apenas, moralista. Olha parvo o monitor no Le Monde, notícia bem contada para seu narrador. Tenta escrever no Windows a esse narrador, tentativa desesperada; erra em teclar palavras caricatas, espera que por encantamento um e-mail do outro venha pelo fóton da estória responder a qual das menores ele ensinará, mestre avant-garde; carinho e perda em passar palavras de ano em ano o saber da Cola Tenaz.: A resposta não vem,.. antes alucina esses personagens e todos que esperam também na ante-sala, mas sem o saber: sua angustia e desejo suam toda a estrutura que o narrador goza em silêncio num outro lugar. Ele lê as considerações de Paulo, mas não sabe qual será o destino das moças, argumenta consigo o que nunca soube em qual delas fosse o que poderia ter feito perder o excesso de história para apenas uma vida mal traçada. Paulo Durro ainda tenta outra articulação, mesmo sem ter recebido resposta; sabe que o narrador nunca responderá. O narrador é um homem que só pode falar de si.


07 dezembro 2004

Tarde Marcial

9vesfora o surto que vai louco e corre menos fake e nunca mesmo kitsch ou plástico fim de corredor. Andaridoido menino de 65 anos sem cueca e camisão de Artur Bispo. Vem os dois enfermeiros; Seu Trajano, por favor..; depois dos últimos 46 anos de hosp/ício em hosp/ício Seu trajano está nu, baba e corre pelo corredor. Corredor é pra correr!; me deixem pecar; sou o Imperador. Alguém descambou dizer de uma horta pretérita à Seu Trajano que ele era imperador romano e o homem num credo secreto aí está para estudo dos médicos, tratado sobre-sob a paranóia. Seu trajano vestia macacão jeans e ajudava a mãe fora cortar daninhas ervas no jardim da casa infantil, lá pelos arredores do mundo nunca. Família que desaparece sempre, diariamente deixa para trás do portão de ferrohosp/ício a vergonha; Seu Trajano, por favor.., não mostre o pinto para a Dra. Legariza. Seu Trajano mostra.:. alguma voz louca o desfez em sabedor fantástico feito em dizer que a Dra. não goza tem 6 meses. Seu Trajano, por favor....; conte para nós os segredos desta casa de loucos....; não adianta quele não desprega do Outro para dizer dele mesmo aos enfermeiros como funciona a máquina-maumau. De cada braço seguro volta ele e meia bronca; todo mundo gosta do homem; e tem pena porque já fritado estará o cérebro depois de 46 anos de hosp/ício; braços suspensos Seu Trajano vem vindovoltar pelo mesmo corredor com os enfermeiros. É o voltarvir. É o dono da máquina-maumau, que ele agora desfia num terço inconfesso dizendo nomes e partes de um livro de remédios que um dia criança decorou e pos prática em até fazendo-lhe uso na boca de familiares envenenados com elixir paregórico, que piada de criatura fantástica!. Seu Trajano, de outras casas ainda mais loucas que esta, apelidou de máquina-maumau a sala de eletrochoque e quando vê a cara da Dra. Legariza subitamente sabe de seu olhar desfolhado terço numa guerra limpa não vale. Mas por que? Seu Trajano, por favor..; não venha novamente por este corredor...; mesmo que o diretor (pessoa boa, homem culto e deprimido) evolua com ele num samba quase nu até o início dele, voltando ao que era antes de ser o abandono de família que faz de louco em louco o perambular massacrado dos detidos...; erráticos; diferentes; malditos; inertes ao lucro; comprimidos do não-eu; mau educados; frontalmente nus; com memória absurda; desprovidos de mentira; perseguidores do próprio nome quando algo os fez, num espasmo de vida, declinar dele ao que não se constituiu ou se fez assim. Seu Trajano volta sorridente à varanda amparado pelos dois motoristas num trânsito amistoso e inexorável; no caminho vem a enfermeira que a Dra. Legariza escurraça e veste uma bermuda flácida no homem carregado que soletra fonemas perdidos. Enquanto isso acontece, os enfermeiros não param, o corredor os despeja e a enfermeira ao passar do rosto por perto do membro de Seu Trajano pensa que desperdício. O Imperador agora vai sentar numa das brancas cadeiras de ferro e ler confortavelmente o jornal de ontem para declamar com perfeição sua teoria econômica predileta, o neoliberalismo.


03 dezembro 2004

Sexta-feira Sem Lei

Omsiba, pulo por cima de você e nem te ligo...
É?
Faço isso enquanto passo batom...
Umrum...
Omsiba, não to nem aí pra tua família nariguda...
(silêncio)
... você fica aí me ouvindo, igual ao Joaquim Ricardo.
Que tem o Joaquim Ricardo?
Você já sacou que eu vim fazer análise por causa do Joaquim Ricardo...
(silêncio breve...) E você veio?
Omsiba, eu estou cansada de ficar aqui, deitada.
Cada um tem o seu lugar.
Você é igual ao Joaquim Ricardo, Omsiba.
E você conseguiu pular por cima do lugar dele?

Paulina, você é uma gostosa.
Eu sei, meu amigo... mas nós já estamos sublimando isso.
Você acha que vai ser possível?
Acho que sim, nos próximos dias a gente ainda vai ficar assim, mas depois vai passar.
Pra sempre?
Não, vai ficar uma pontinha de torpor lá longe, mas nós não lembraremos.
Eu sei.
Por que você não escreve a história de outro jeito?

Hoje é sexta-feira, Joaquim...; você sempre fica angustiado.
E daí?
Por que você não me liga?
(Abismo)
Meu telefone é o mesmo.
Não lembro...
Pensei que você tivesse memória fotográfica.
Lembro muitos telefones, mas não sei qual é o seu.

Eu gostava quando você vendava meus olhos.,; me abraçava por trás, as mãos nos meus seios.
Eu sei... (Je est one autre poème)
Não agüento mais ficar aqui de pernas cruzadas, balançando.
Vou chamar o garçom.
Você já quer ir?
Quero.
Mas...
Você vem comigo.
Ah.., é?
..;
;.. eu tenho que ligar.
Estou esperando o seu telefonema.

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