22 outubro 2007

As pétalas

Rubro o rosto de pétalas
não sabe que é desenho
(tem cores sem lágrimas),
explode às feições do vento.

Dele mentem tardes frugais:
moças fáceis de enleio
correm dentro de ninfas;
derramam-lhe um seio sem alento.

De seu fartar do amor
onde há prece, cura e lume
as pétalas de sua história vencem
onde preste a tortura ramada

para a pluma fácil do mundo.
O doer escuro e sem palavra
volta ao silêncio quando o dissipa
todo seu contorno até o nada.

15 outubro 2007

Dicas de marketing pessoal do professor Ludwaldo Jr.

1 Tenha uma imagem otimista e positiva. Minta.

2 Seja criativo, ou seja, faça atividades comuns ao grupo.

3 Fique atento. Você precisa saber o que os outros pensam a seu respeito. Mude pequenos hábitos e costumes, se eles quiserem. Isso demonstra que você sabe ouvir.

4 Evite dizer coisas negativas. Críticas atrapalham, causam questionamentos desnecessários. Resolva os conflitos de fora para dentro, caso contrário levarão muito tempo de seu trabalho.

5 Utilize o Benchmarking. Observe as pessoas com quem você se identifica. Note que elas ainda estão à sua frente.

6 Seja reconhecido como uma pessoa interessada. Use a iniciativa, movimente-se. Se não for atrapalhar o seu trabalho, participe de um projeto social, como voluntário. O espírito fraterno pode ser desenvolvido por todos, mas lembre-se: você quer mais.

7 Use o bom senso. Para ser cooperativo separe as coisas. Não defenda aquele colega que você sabe que será recolocado (demitido). Sua vida pessoal também deve estar proativa.

8 Antes de começar a ler um livro, observe a resenha, avalie sua aceitação no mercado e pense em que ele lhe será útil. Não há mais tempo para leituras profundas quando o assunto é periférico. Não perca o foco.

9 Descentralize de você as atividades usando para isso o feedback. Mostre a todos que o problema não é seu, fale do pouco tempo que ele ficou com você. Venda-se.

10 Nunca crie. Copie e transforme o que você vê entre seus colaboradores. Todos estão à espera de algo que os motive. Idéias novas podem trazer insegurança.

14 outubro 2007

9-outubro-2007

Meu corpo no fim
do cansaço é queda na cama. Espero dentro dele, sala sem letras. Todo romantismo tragado pela metrópole lá longe é barulho, mistério, noite. Um carro, um vizinho, a avenida de comentários. Passando folhas; folhas sem livros, perfumes, páginas de hipertexto... venço a pequena escuridão sem Lua. É Lua Nova, a noite verdadeira passa a vida inteira com lembranças coloquiais. Seremos desiluminados até o galo cantar. Nosso coração de pedra negaremos 3 vezes. E quando acender a peste de motoboys a infância finalmente acabou. O filme de Michael Curtis na Sessão da Tarde insiste, contudo. Mostra-nos elegantes numa vida paralela de um futuro que já havia acontecido. Até que desvanecêssemos aqui, reais na cama fatal onde tudo que somos goza e cala mais uma vez.

06 outubro 2007

Living room

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Telefonista,
Não quero teu afago
hoje à tarde
(o telefonema do Santander)
, para minha segurança
nossa conversa estará sendo gravada”

por favor, o senhor Elton está?

...

dizem que Stanley Kubrick filmou os astronautas

...

E os novos cineastas querem sangue
(Godard ainda diz que
homens sensíveis não fazem revoluções e sim
bibliotecas, mas não há tempo para poemas).

...

os industriais financiavam o DOI-CODI

...
Anoiteceu.

... e na TV...
de madrugada os papa-festas
vão mapear São Paulo

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03 outubro 2007

3-outubro-2007

A revisão do meu livro está pronta. A re-revisão e a pós-revisão também. Ao largo disso, um pequeno cansaço me faz pensar que minha vista começa a falhar. Vejo perfeitamente. “Vejo e revisto”. Contudo, as letras se apagam, de forma interior, imaginária. É uma cegueira profunda e de dentro dos olhos, uma cegueira para um mundo meu. O terror de saber que alguém pode cortar os poemas aleatoriamente está me consumindo um pouco, ligo para lá e todos estão no almoço. Gastei tempo e trabalho para chegar nessa conclusão, os gráficos são um problema mesquinho desde Joyce. Novesforanada, bebo um café na tarde amena, respiro e coço a barba por um instante. Espero em silêncio, um pouco mais gasto, leitor de Rilke amadurecido e o sexo rijo de um príapo de metáforas, quando fecho os olhos minha cegueira continua. Estou só. Sinto-me dentro daquele poema de Drummond, meus ombros suportam o mundo.

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