20 março 2008

Sujeitos

o nome ocultado quer prender o sujeito. Mas o verbo desconjurado ganha. O substantivo enluarado em ajetivo é frase flexionada, está no corpo. E a rapariga de vestido laranja tem um fogo submerso. Abusa de ser boa, rebola num gosto de manjericão o corte de texto que o poeta depois imprime, sente com a boca. Novesfora, uma matemática desesperançada reclama pontuação, pede força onde dói. Mas o carinho perpétuo das mãos sem alma faz de maldade o caminho de um barbeador no rosto. Sem letra maiúscula uma vírgula diz no ouvido que assim morre, que é bom errar, deixar o tempo vir. Ao largo de acadêmicos letrados, a construção do texto requer uma semântica de sonho, solo de guitarra, tudo que professores tentam tapar. Sem ensinamento possível, a beleza do encontro com a loucura escapa, faz o corpo, a carne, a língua sorverem o avesso de toda classificação, abandona os dois pontos fatais. Sem esperar critérios, a boca pensa poder dizer palavras. Traída pelos fonemas, reclama inexprimível, numa língua fugaz. Por cima dos livros na mesa, até derrubá-los no chão, o homem iletrável equilibra pensamentos de ponto e vírgula, faz contorcer o espaço entretexto até a moça chorar. Quando isso acontece, mesmo vencidas as reticências sem mais assunto, uma verdade ilumina do escuro, aceita versos brancos, respira o fundo possível dos pontos finais.

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