Quando
você me virou o rosto no baile eu não tive tempo de ouvir tua graça, teu cabelo
de labareda vento sul e tapa de luva viraram perfume. O batuque crescia junto
com meu rio longe dias ferreira e leblon que não sei dançar tão devagar. Do
outro lado do salão era outro o mundo e eu lixava calos na mão de motociclista
arrombando uma Heineken Homem Heineken verde raiva enquanto Plínio falava,
falava. Sim, aquele médico, que também vem a ser amigo do pai de Poliana, tua
amiga. Veja que mundo. Também vi quando Ulisses (ele foi meu colega de escola,
éramos os magrelos péssimos no futebol e prontos para o aerópago) atravessou o
salão correndo e me gritou, apressado igual jornalista; O Cíclope era de
plástico. Do outro lado você, Poliana, Laura, Lady Gaga e Dora riam contando o
caso do Senhor Karindo, aquele homem que hoje é pacato morador numa das ruas
catalogadas por Elmo Elton em raríssimo livro sobre singelos logradouros da
então nascente cidade presépio: Esse homem aos sábados caminho com delirante
admoestação até a padaria, a banca, quando paro como se encontrasse pessoas que
já não estão lidas há décadas: Homem com horror de motocicletas, e que da
janela me ameaça com a bengala quando por acaso me escuta descer o tobogan de
cimento nas noites de semana alta. Entrequei a cerveja na mão do Plínio, ou do
colega também médico, que chegou com mulher e duas filhas le lis blanc frugal. Agora eu atravessava o batuque do salão. Calor com força e camisa polo preta obsessiva
que me aparecia como armadura medieval. Aquele salão durou dias, noites.
Paris-Dakar sem carta náutica. E minha destreza no Rallye burguês da Praia do
Canto, apesar dos meus defeitos, não te impressionava. Você ria. Segura, viva,
bonita, insatisfeita. Eu nenhuma palavra. E muitas nos habitavam risíveis
tempos verbais quando você quer que eu saiba, mas não saiba tanto, e Eu não
ouvia tua voz no que você falar com a Bailarina que cessa o volteio ao teu lado
e assim fazia uma secante linda do salão no teu encontro, enquanto de longe me
respirava o sonho; depois ao passar por mim também igual ciranda, do outro lado
de tal cenáculo, recendia teu shampoo contando as palavras que você me olharia
frontalmente num divertimento, em meu rosto. Até que nele fosses desenho, tatuagem. Os amigos, Johnny Depp, Marlon Brando nesse momento
conversavam comigo, um deles tinha trazido minha cerveja das mãos do Plínio,
que não bebe. Era o meu marco: Meu passo sem samba na contracorrente, a
quixotesca loucura se te faço com os olhos a visão cruel de que das mulheres se
pode entender apenas o corpo. Glauber, com quem travo há anos um jogo de xadrez
às cegas, passou por nosso pequeno agregado machista e rispidamente me esbarrou
no ombro; Bispo no quadrado 7, torre no quadrado 5. Beth Carvalho cantava bombada
nas caixas de som Beringer de baile aquele samba que eu escutava lá em
Manguinhos, nas noites claras de lua no dorso da Musa, no bar do Geraldo e
depois, na areia da praia, sendo eu próprio minha carta ao mar. Você me
fulminou como se procurasse outro livro com aquele mesmo estúpido da livraria,
aquele que não sabe pronunciar palavras difíceis. Lápis sutil. Impávido, eu
desintegrei por dentro igual a memória do The Cure um comentário. Meu corte foi
a flôr de origami que você segurava ter caído. Eu fui mais rápido. Obrigada..(sorriso)
Eu vim aqui vírgula reticências; O que?? Não entendi o que você disse..;
(aumentaram o som, o narrador avisa,))) Eu disque vim.. aquii falaar com...
26 setembro 2012
09 setembro 2012
praia egain
o
mar, son oro no escuro
minha
história vem na areia
háqui
em
manguinhos, onde-o tempo
fotografado
trevalesce
mesmo
som
move mos
cegos
sós
ismos
pós-
all
mar
minha
memória tem na veia
o
retorno,
meu
futuro
contemporâneo: escuro presente
nodal:
a
praia em teu gosto ausente
na
vigência do real.
03 setembro 2012
Head over heels
Do
píer me vem o vento de sal no rosto enquanto escuto o quando imóvel Everywhen
do Massive Attack. Fone de ouvido. Praia lenta e lenda, sem te decifrar no
entanto a estendo tua conquanto não a saiba no que eu sei que aos poucos
explica minha paixão pela velocidade: saber que o tempo é o mesmo inexorável a
nos trazer um esmo, opor o mais que se escreva: o fluxo outro, o mar segredado
de angústia e desejo. Café. De quando em quando levanto me desfaço café, que
esfriará novamente enquanto sinto o aroma ao lado do teclado. Retroajo o Sísifo
contemporâneo se adio a volta ao supermercado Carone, onde uma vastidão de
crônicas aguarda desfecho e um comentário sobre livros LP&M em uma torre em
rotação roi uma unha possível: uma criança olhou minha mão direita e me chamou
de Wolverine: não há tempo para o sacerdócio do violão. Alunos de 8, 9, 10 anos
entram sala à dentro com espadas de plástico, e me ensinam movimentos de
neo-pós-samurais, depois querem tocar a música tal. Pego a lata de Leite Moça,
lembro do Barro Vermelho - ah, Itabira é apenas uma fotografia no stagram. A
trilha sonora supreendentemente faz um head over heels e volto aos 80’s. Tears.
A pequena criança que me namora olha meu capacete preto fosco no carrinho de
supermercado e depois diz que pareço supelerói. Entre os prédios das gôndolas,
a mãe, antiga colega aluna exemplar do lendário Monteiro Lobato me sorri: ela
gostou de você. Olho a pequena Clarissa; Gostei de você também, você sabe. Ah,
Isso ela sabe sim; me diz a mãe da musa. Citar Homero para a platéia e depois
cantar foi uma loucura apaixonada. Expando meu vôo, e estes últimos dias viram
devastadas pequenas mazelas caiadas, que se amorfanavam e sobrepunham sobre o
terreno de abismo no parreiral, onde eu mesmo em pegada me transfigurava e
atravessando toda a extensão do finito deserto chegava à rua com os pés cheios
de carrapicho. Assim entrava no carro e seguia, farto do lodo que a rádio FM sustentava,
e cético enquanto a noite caía comigo no trânsito enfático, onde por
encantamento mais tarde me viria o evento belíssimo das epifanias. O exílio
questionador dos homens indo ao happie hour me sustinha se a força que o corpo
quer fazer para ir se impunha até o contraponto nodal das marginais que talvez
existam num futuro distante. Meu pasmo ou espasmo engarrafados se atordoavam de
repente acordando no sinal de um outro caminho em que a trilha sonora era a When
the levee breaks do Led Zeppelin, porque nesse instante me vinha tua voz; Mas vem
cá, você só gosta de carros, motos velozes... então que significa esse Land
Rover verde musgo, esse... você gosta mesmo disso? como é mesmo o nome?; É
Defender; Isso, Defender... E então, desligando de súbito o som do carro,
permanecia em silêncio sabendo que o Land Rover é lentolerdo igual o inferno
particular, o deserto, o parreiral, assim como quando se salvaguarda a dor
segredada e contida, a que é preciso ser mulher pra administrar. Chuva. No
entanto estou seco no emaranhado dos dias, e lhe descrevo as formas banais das
nuvens, o funcionamento de máquinas que tampouco lhe serão úteis em teu
cotidiano, a literária presença de uma leitura, o gosto das tuas palavras. Em
meu sonho nós sorriamos, aliás, lembrei agora, você sorria. Eu mapeava (meu
desespero por mapas) toda a extensão do retângulo que nos habitava naquele
instante, os móveis, poltronas, uma mesa, o círculo desenhado do portal do
tempo, a estante encarnada com objetos. Olhava prum lado e outro, “o ladrão vê
em cada sombra o rosto de um policial”. Não quiz colocar a mão no bolso e achar
um lenço, por um momento desconfiei que o narrador fosse me chamar Iago. Você
passou uma das pernas no braço da poltrona, e depois a outra também. Olhava
para mim com uma roseana coragem. E sorria. Quando consegui desviar meu olhar
para o lado esquerdo, contemplei a quase totalidade do local, e me virei até
começar a andar em direção oposta a você, em direção às janelas de vidro,
imensas. Percebi que estávamos em um retângulo, o mesmo retângulo que me
persegue havia ali, presente no abajur, no tapete. Fui caminhando em direção às
janelas até que cheguei bem perto, coisa de metro e meio, daí olhei para trás.
Você estava na poltrona, agora num vestido amarelo comprido, não me lembro de
uma palavra na tua respiração densa. Foi quando por algum motivo (que só o
narrador deve saber) olhei para cima. Chocado percebi que a sala não tinha teto
da metade para frente, justamente onde eu estava. Ou seja, a partir de um lugar
não havia teto, era o céu que anoitecia lá em cima, embora os móveis, uma mesa,
e nela tua bolsa, e até meu caderno de números continuassem ali dispostos. E se
chovesse? pensei. Agora eu caminhava até perto de você, que tinha se levantado.
Outra roupa. Interrogação. O ar custoso, estávamos desesperados de paciência e
certeza, a imensidade da dúvida já era banal. (achei que fosse terminar antes
disso, mas não, tudo continuou)
Assinar:
Postagens (Atom)
,..
,.
- jan. 2021 (1)
- set. 2020 (1)
- jul. 2020 (1)
- jun. 2020 (1)
- abr. 2019 (1)
- jan. 2019 (1)
- dez. 2018 (2)
- jun. 2017 (1)
- abr. 2017 (1)
- fev. 2017 (1)
- nov. 2016 (1)
- jul. 2016 (1)
- jun. 2016 (1)
- mai. 2016 (1)
- abr. 2016 (1)
- jan. 2016 (1)
- jun. 2015 (1)
- mai. 2015 (1)
- abr. 2015 (1)
- jan. 2015 (1)
- dez. 2014 (1)
- ago. 2014 (1)
- jul. 2014 (1)
- mai. 2014 (1)
- mar. 2014 (1)
- fev. 2014 (1)
- dez. 2013 (1)
- nov. 2013 (1)
- ago. 2013 (2)
- jul. 2013 (1)
- jun. 2013 (2)
- mai. 2013 (2)
- abr. 2013 (2)
- mar. 2013 (1)
- fev. 2013 (2)
- jan. 2013 (2)
- dez. 2012 (1)
- nov. 2012 (2)
- out. 2012 (1)
- set. 2012 (3)
- ago. 2012 (1)
- jul. 2012 (3)
- jun. 2012 (3)
- mai. 2012 (2)
- abr. 2012 (3)
- mar. 2012 (2)
- fev. 2012 (1)
- jan. 2012 (4)
- dez. 2011 (7)
- nov. 2011 (4)
- out. 2011 (6)
- set. 2011 (3)
- ago. 2011 (5)
- jul. 2011 (7)
- jun. 2011 (7)
- mai. 2011 (6)
- abr. 2011 (1)
- mar. 2011 (4)
- fev. 2011 (5)
- jan. 2011 (1)
- dez. 2010 (5)
- nov. 2010 (7)
- out. 2010 (5)
- set. 2010 (5)
- ago. 2010 (6)
- jul. 2010 (4)
- jun. 2010 (5)
- mai. 2010 (2)
- abr. 2010 (3)
- fev. 2010 (3)
- jan. 2010 (3)
- dez. 2009 (3)
- nov. 2009 (1)
- out. 2009 (3)
- set. 2009 (2)
- mar. 2009 (1)
- out. 2008 (1)
- set. 2008 (1)
- ago. 2008 (1)
- jun. 2008 (3)
- mai. 2008 (1)
- abr. 2008 (5)
- mar. 2008 (2)
- fev. 2008 (2)
- jan. 2008 (1)
- dez. 2007 (2)
- nov. 2007 (4)
- out. 2007 (5)
- set. 2007 (1)
- mai. 2007 (3)
- mar. 2007 (1)
- fev. 2007 (1)
- dez. 2006 (2)
- jul. 2006 (1)
- jun. 2006 (2)
- abr. 2006 (1)
- mar. 2006 (1)
- fev. 2006 (1)
- jan. 2006 (6)
- dez. 2005 (7)
- nov. 2005 (7)
- out. 2005 (3)
- set. 2005 (4)
- ago. 2005 (1)
- jul. 2005 (3)
- jun. 2005 (2)
- mai. 2005 (4)
- abr. 2005 (8)
- mar. 2005 (5)
- fev. 2005 (2)
- jan. 2005 (3)
- dez. 2004 (5)
- nov. 2004 (5)
- out. 2004 (3)