A biblioteca está fechada. Estou dentro dela alucinado, pelado e morto. O que mais gosto nesse antialérgico é o slow motion, imensidão oceana e azul. A biblioteca com outras palavras nos envolve púberes aparentemente sem propósito; eu, todos esses editados e algumas sereias. A gente sempre repete, é a praga lacaniana.
Debaixo d´água o mundo é silencioso; estúdio de gravação. Danço tão Manuel como dancei na piscina do sítio em Niterói defronte onde filmaram a Escrava Isaura. Não encontrei Isaura, vi janelas imensas fechando a noite sem o branco na pele de Isaura. Escravas aristocráticas casam com senhorinhos de engenho, sonham com o sofrimento nas mãos do capitão do mato. Os livros abrem pernas seminuas e nessas folhas ensino um eterno nado de peito na borda noturna porque Isaura não sabe respirar.
Jogo pra lá uns livros de Rimbaud, problemáticos por esporte. E essa edição do Dicionário do Folclore Brasileiro, do Câmara Cascudo, agoniza mofada desde o sebo. Dentro dele, na primeira página tem uma poesia horrenda que a última dona colou antes de disponibilizar aos fanáticos. Eu sou isso, fanático. Penso na dona que vendeu o Cascudo ao sebo, onde eu comprei os 2 volumes; Não sei por que razão me importa isso. ...
Mais agora, finda a leitura da graciliana angústia, aquele menino chutando ramos da grande árvore no fundo do quintal alado. Agora está morto. Sem ponto exclamação sou cidadão sem exclamar nada o absoluto de cronologias que a rua lá fora cegou, passam das 3 da manhã de escuro. O texto fechado do rap em francês na música do Sting tem uma nostalgia, enfraquece na cabeça Concorde ou não o jato de sêmen que vai inventar outro mundo. O que tenho está perdido; amigos, continentes, cidades, bacantes, sátiros e florestas.
Danço dentro d´água, drogado de memória. Pior que o memorial é ser visionário. Daqui do sertão pop a vereda mexe os pelos de vento nas pernas. É o sopro do gênio que vence uma terceira margem de outro rio, fecha o livro.
27 junho 2006
09 junho 2006
Démodé
O narrador demora a perceber que não tem uma estória. Finalmente acende um cigarro, ele que não fuma mais. Dentro do texto o homem de 40 anos traga a noite, anda pelado por um corredor, acende três da matina uma metrópole.
Nada mudou o texto, ponteiros e relógios. A persistência da memória ataca. Demente depois de surfar por inocentes leblonianos. O narrador observa. Fã que era das novelas de Gilberto Braga. Esperava o desfecho quando Ana Regina apareceu. Ela e sua antiga rival imaginária. Mulheres que hoje também esperam. Grávidas, amalgamadas.
O narrador luta com o editor de texto, não aceita palavrões. Respira com peito de galo olhar imperial, depois arremete até a sala. Mete no fundo o bastão de pau rosa na bengaleira com chapéus. Lembra que as fãs do personagem adoram a roupa de toureiro que o pobre ainda não sabe que terá. Todos esperam algo, estão partindo.
Amanhã o homem de 40 anos se olha o espelho. A barba Nikon, o Pretobarba Hugo Boss Nº 1. O dia começa uma estória ou coisa sem protagonista. O discurso do romance contemporâneo não suporta mocinhos,.. as raparigas sem sombra de dúvida jogam respostas enviando flores e cartas, querem a lei do abate lá dentro da narrativa. O narrador não sabe por que o homem de 40 anos as recebe; se lhes responde? ensinará, mostrará a dor dos fonemas com letra minúscula? Não.
Nada mudou o texto, ponteiros e relógios. A persistência da memória ataca. Demente depois de surfar por inocentes leblonianos. O narrador observa. Fã que era das novelas de Gilberto Braga. Esperava o desfecho quando Ana Regina apareceu. Ela e sua antiga rival imaginária. Mulheres que hoje também esperam. Grávidas, amalgamadas.
O narrador luta com o editor de texto, não aceita palavrões. Respira com peito de galo olhar imperial, depois arremete até a sala. Mete no fundo o bastão de pau rosa na bengaleira com chapéus. Lembra que as fãs do personagem adoram a roupa de toureiro que o pobre ainda não sabe que terá. Todos esperam algo, estão partindo.
Amanhã o homem de 40 anos se olha o espelho. A barba Nikon, o Pretobarba Hugo Boss Nº 1. O dia começa uma estória ou coisa sem protagonista. O discurso do romance contemporâneo não suporta mocinhos,.. as raparigas sem sombra de dúvida jogam respostas enviando flores e cartas, querem a lei do abate lá dentro da narrativa. O narrador não sabe por que o homem de 40 anos as recebe; se lhes responde? ensinará, mostrará a dor dos fonemas com letra minúscula? Não.
30 abril 2006
Blood Mary
Maria da Encarnação exalava perfume, respirava com o coração na boca. Seu vestido leve deslizava na poltrona hardcore. Esses carros alemães têm os limpadores de pára-brisa silenciosos.
O bólido negro atravessava o Leblon sob a chuva rala. Ligou o som da Madonna, Bad Girl. Viu que estava trêmula, queria se arrepender. Mas lembrava de Ives, também queria ir ao seu encontro.
Pedro disse que precisava beber alguma coisa, virou em direção à praia. Tirou uma das mãos do volante e descansou sobre o vestido leve cobalto, ornava a coxa da mulher. Depois puxou um pouco, até sentir a pele. Enquanto o sinal não abria decidiram voltar alguns quarteirões e estacionar no edifício garagem. Por que não vamos ao cinema? falta muito para as onze...
Enquanto Pedro pegava o ticket do estacionamento e o carro negro subia pelo elevador em silêncio, Mary olhava a rua encarnada. O vestido cobalto era o hippye discreto chique algo haver com os tempos do Sujinho, na UFRJ. (O embate da psicologia com a engenharia era sexual). Quando Pedro veio ao seu encontro a chuva aumentou e o porteiro do edifício chamou um táxi que os poderia levar cem metros adiante. Mas o carro avançou por muitas ruas levando homem e mulher antes que decidissem onde ficariam. Desceram quase meia hora depois, perto do restaurante.
Após ser servido o segundo drink dela, e enquanto saboreava uma taça de um Parej Barolo 1999, Pedro perguntou à esposa se queria desistir. (Pausa) Maria da Encarnação disse estar com uma calcinha vermelha, bem pequena.
O bólido negro atravessava o Leblon sob a chuva rala. Ligou o som da Madonna, Bad Girl. Viu que estava trêmula, queria se arrepender. Mas lembrava de Ives, também queria ir ao seu encontro.
Pedro disse que precisava beber alguma coisa, virou em direção à praia. Tirou uma das mãos do volante e descansou sobre o vestido leve cobalto, ornava a coxa da mulher. Depois puxou um pouco, até sentir a pele. Enquanto o sinal não abria decidiram voltar alguns quarteirões e estacionar no edifício garagem. Por que não vamos ao cinema? falta muito para as onze...
Enquanto Pedro pegava o ticket do estacionamento e o carro negro subia pelo elevador em silêncio, Mary olhava a rua encarnada. O vestido cobalto era o hippye discreto chique algo haver com os tempos do Sujinho, na UFRJ. (O embate da psicologia com a engenharia era sexual). Quando Pedro veio ao seu encontro a chuva aumentou e o porteiro do edifício chamou um táxi que os poderia levar cem metros adiante. Mas o carro avançou por muitas ruas levando homem e mulher antes que decidissem onde ficariam. Desceram quase meia hora depois, perto do restaurante.
Após ser servido o segundo drink dela, e enquanto saboreava uma taça de um Parej Barolo 1999, Pedro perguntou à esposa se queria desistir. (Pausa) Maria da Encarnação disse estar com uma calcinha vermelha, bem pequena.
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