28 julho 2016

Black.

Por vezes o tempo também está fotografado na memória em labirinto, mas qual? Se for o nosso, se for o do amor, o invisível laberinto que a cidade arma, desarma nos caminhos por onde atravessaremos, e que num segredo majestoso nos acarinhou no vento dos dias de inverno. O passado... talvez ele nunca acabe.

– Por mais que nos doa o sol, é também por essa história (essa memória) que estamos vivos sob a iluminação artificial se ela se apaga nas manhãs. Quando o coração de pedra não resiste às últimas e mínimas agulhas, nas banalidades descartadas. Heineken, como eu sofro por uma bobagem. É hora de vestir novamente meu black tie para festas, encarar a banca, saber que fui vaziø. - ou que este foi um lampejo do que há de mais bonito e que qual poema apagaremos escritos no vento em indefeso cantares durante algumas tardes fazendo música.


A força que essa fotografia nos impregna é menos exata do que antes pensávamos ser; está na bruma de um filtro, é o romance feito na cidade invisível. Com saudade, olor, imaginação, raiva, desejo, amor e carinho.

13 junho 2016

heptágono 46.

1.
aos poetas, cordelistas, escritores sem livro, cantores com microfone sabotado, escultores de vísceras, artistas do circo que fechou. aos produtores musicais maestros do sampler, equilibristas de alegrias banais, aos caricaturistas com a taça de vinho de baudelaire, pichadores, desenhistas que trazem o desenho cego do futuro.

3.
alados multi-instrumentistas do ouvido absoluto, aos que arranham a topologia na banda de moëbius e  andam de bike deixando coisas para os outros. aos andarilhos que não sabem se chegarão ao palco, às crianças de rua com malabares contra os motoristas nos sinais de jardim limoeiro.  

6.
videomakers da mídia ninja tanto quanto diretores anônimos, roteiristas cansados da globo, declamadores da amnésica dor. performers das pestes exógenas à felicidade da classe média. aos desbravadores da experiência que furtam a vida das tardes e amam, aos que herdam a indesejada das gentes. aos amarildos.

2.
aos pintores de códices maravilhosos com a paixão dos escritores de diários perdidos, que os apaixonados sem futuro imitam na vida, geração de ciclistas de camburi quando a chamará araceli. aos anjos da cidade vestidos mendigos com o sacerdócio do anonimato, aos que estão no presente.  

7.
todos os pesquisadores do vento sejam perturbados por um beijo da musa,.. gente do futuro que deseja e aos poucos esculpe o próprio tato nas artes visuais, materializa uma ideia ou saudade, a carne sonora das palavras. gente que vai acreditar na arte até a morte.

4.
aos fotógrafos de instagram na autobiografia do real, aos atores e rapsodos persistentes sob o sol, ao cantador analfabeto e rude que irrita os guitarristas subsumidos no tempo da harmonia funcional. aos compositores da música concreta, aos que tocam garrafas com água sem esperar uma escuta.  

5.
trago em minha oração também a voz dos os bardos cancionistas de clichês. e aos maestros de uma música inscrita no corpo lanço meu caderno, e aos engenheiros do som que desanestesia o mundo, celebro. aos que de alguma forma acham a vida insuportável sem arte.  


05 maio 2016

ilha sonora

semibreve roxa
teu carinho sensível
colore-me a lâmina no coldre
de homem do parreiral.
∑rro no campo
sem o teu erro
na tarde floral,
la mélange fort, inesquecível.

semileve e terra
és o gosto de uma lua,
és meu rosto no sol.
a invenção sem partitura
que a tarde gravará
nas coisas simples.
(everyday we find the way).

os discos, os outros remixes
do eclesiastes,
los libros de la noche
que la ciudad habita
nos dizem outros, estandartes.
a letra que o amor edita

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