1.
aos poetas, cordelistas,
escritores sem livro, cantores com microfone sabotado, escultores de vísceras,
artistas do circo que fechou. aos produtores musicais maestros do sampler, equilibristas
de alegrias banais, aos caricaturistas com a taça de vinho de baudelaire, pichadores,
desenhistas que trazem o desenho cego do futuro.
3.
alados multi-instrumentistas
do ouvido absoluto, aos que arranham a topologia na banda de moëbius e andam de bike deixando coisas para os outros.
aos andarilhos que não sabem se chegarão ao palco, às crianças de rua com
malabares contra os motoristas nos sinais de jardim limoeiro.
6.
videomakers da mídia ninja
tanto quanto diretores anônimos, roteiristas cansados da globo, declamadores da
amnésica dor. performers das pestes exógenas à felicidade da classe média. aos
desbravadores da experiência que furtam a vida das tardes e amam, aos que
herdam a indesejada das gentes. aos amarildos.
2.
aos pintores de códices
maravilhosos com a paixão dos escritores de diários perdidos, que os
apaixonados sem futuro imitam na vida, geração de ciclistas de camburi quando a
chamará araceli. aos anjos da cidade vestidos mendigos com o sacerdócio do anonimato,
aos que estão no presente.
7.
todos os pesquisadores do
vento sejam perturbados por um beijo da musa,.. gente do futuro que deseja e
aos poucos esculpe o próprio tato nas artes visuais, materializa uma ideia ou
saudade, a carne sonora das palavras. gente que vai acreditar na arte até a
morte.
4.
aos fotógrafos de instagram
na autobiografia do real, aos atores e rapsodos persistentes sob o sol, ao
cantador analfabeto e rude que irrita os guitarristas subsumidos no tempo da
harmonia funcional. aos compositores da música concreta, aos que tocam garrafas
com água sem esperar uma escuta.
5.
trago em minha oração também
a voz dos os bardos cancionistas de clichês. e aos maestros de uma música
inscrita no corpo lanço meu caderno, e aos engenheiros do som que desanestesia o
mundo, celebro. aos que de alguma forma acham a vida insuportável sem arte.