20 junho 2013

lo que importa en verdad


A.  no es la luz
E. isso. porque a letra da música diz que..
A. no es la luz lo que importa en verdad.
E. ñ sei porque isso,. eu falava. do fato de schoenberg também pintar (∑∂=x≠y). ,ser amigo de kandinsky até. isso eu sei vai me levar ao construtivismo: e já no primeiro parágrafo do artigo eu
A. vc falava sim, mas do comando de válvulas rs
E. ñ..
A. que já sabia, o problema “ñ” era o comando de válvulas

[silêncio de uns 12 segundos]

E. eu to pensando em me desfazer da moto
A. desfazer do que se gosta lhe parece o que?
E. o quadro tá empenado, c já teve moto? quando isso acontece...|..e o comando de válvulas..
A. comando de válvulas honda, novo. no entanto vc insiste em falar dele para a
E. ñ...
A. rs discute mecânica com Ela?
E. clássica, naturalmente rs
A. rs talvez Ela lhe fale de dinâmica, cinemática.. de umaoutra forma, naturalmente rs. o que Ela lhe diz? nisso aliás falta um dos modos, qual seria
E. estática

[silêncio de um relógio omega no pulso]

E. acho q’eu. falo. acabei. falando. do comando de valv
A. questiona o comando de válvulas sem necessidade.
E. comando sim.: mecânicos, gente do truco, burocratas, titãns, levitas, leviathans
A. como comandar uma mulher que “ñ” quer desobedecer?
E. que escuridão
A. no es la luz
E. que raiva isso como é possível
A. ñ. o nome disso não é raiva E.
E. nem tudo é música
A. silêncio é música, já disse uma vez ao tê-la conhecido. a respiração dos intervalos.. e ñ se lida com eles sem una poca de gracia... rs hum?

[silêncio que eu ñ contei]

E. para bailar la bamba?
A. ñ se faz música a toa, nem por acaso dela se fala
E. fazer música é perder o mais importante
A. para ser cantante é preciso saber perder. quem não sabe não canta
E. canta para mim, ó musa, o varão industrioso que...
A. nem todas as distâncias são homéricas.
E. ñ seja cruel, hje vamos ficar por aqui? tb quero usar meu tênis mizuno pra sair correndo. correndo de nunca mais voltar

[pausa de semibreve]

A. antes, falavas do relógio herdado, que foi de teu pai. e que nesta semana você usa. seanmaster 300, me parece. Hoje, vamos ficar por aqui.

19 maio 2013

Nau


Pelo campo de sol à pino minha pele salga de protetor solar L’Oreal. Desejo a alucinação igual a mordida em meu ombro esquerdo que me desenha palavras com a língua de um beijo. Caminho até o fim da reta mar que se esvai no oceano: nau de areia e pedra, pescadores e eu. A orquestra secreta no tempo do mar já é vasta quando do píer meu olhar é a figura de proa e se lança às embarcações uma falível sequência de cálculos, um anônimo nome, uma prodigiosa memória de esquecimentos que canta à Musa o segredo que os homens ferem nas cartas náuticas pelo exagerado estudo de uma cintilação solar. Explosões que nos modificam a fonética em um corpo no qual o prazer e a dor ardem numa epiderme de palavras, as quais em misteriosa sonoridade se abrem e espalham pelo firmamento fechado à procura do silêncio. Toda pausa de seminfusa tem dentro o fel de uma saudade em semibreve. Assim o vento furioso também sonha e aperta as ancas das nuvens quando a densa tempestade é o jorro de todos os homens e seus idiomas iguais, essa tempestade-pintura que da ponta do píer estou regendo, maestro de uma solidão terrível. Com minha caneta Pilot 0.8 na mão direita estou no comando de uma pseudo batuta insólita e os ventos da preamar jogam contra meus restos de cabelo para trás das entradas da testa as fúrias que eu já dominei. A pintura viva se modifica e vou manchando no céu o desespero de uma miríade de sons até que a praia de Camburi acende minha ganância.  Os pescadores olham para mim com absurdo sem saber, como eu, que é a música de Antônio Carlos Jobim que nos translada em algum sutil prelúdio às valsas preliminares por onde lhe desnudo num slowmotion o gosto irresistível que tem o desejo. Tua respiração também tem um andamento e presa dos meus olhos de si mesma exala o perfume rosa de sinestesias, teu abraço me vence o pavor da cidade sem memória nem incêncios. Abro as asas pela noite escura que virá e do lucífogo lamento de homens me vôo vestido de negro por sobre o baile na casa de festas, por sobre o corte do canal que separa a ilha de Vitória do continente soldado de Camburi; e se me levo e velo um futuro ao largo dos cães de boa vontade aro a cruz que carrego quando aceito que tal futuro é o furo que não me condenará. Da exógena lição que o presente na civilização encarna por momento me vejo com minha camisa black tie, contudo volto ao píer onde alucino: és a verdadeira perda e encontro nodal do outro enquanto a música diminui num fading os pudores da virtualidade até o movimento silente dos desejos aceitarem novo alfabeto ainda mais nosso: nos segredos guardados, nas metades de palavras cortadas, nos fonemas que se perdem no gosto, nas horas que doem de prazer, nos choros que a vida não pôde aplacar: polifonias, vozes, línguas: os sons desse mar do sal da terra que somos através do outro.

02 maio 2013

vênus


a noite  
nos canta e inventa a esperança.
os sonhos eram; o que eles nos deram
nunca os alcança.
a noite é moça, os seios
numa melodia secreta
quando a aurora
é queda na pele clara tenra doce.
o vazio dissipado pelo sol da promessa
é asa da palavra.
na ponta da minha língua
finjo que tenho civilidades sem desejo.
as palavras à espera de amor estão suadas
com as dores que não se deram.
por que a dor é a melhor arte?.
pela aurora eu caio na tv fechada
e do sofá o cetro controle acende a sony:
os espasmos-luz jorram na sala
o abismo de lume letal do mundo:
canção da noite / homem bicho rosto pó.
vou até a sacada de onde vejo a rua:
o antigo dodge charger no meio fio tosse um aviso.
mas sem tempo para o esquecimento
arqueio as asas. decolo sob o sol.

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