a
rua aquieta assim, noturna, o resto de ginga é década décadence avec elegante.
coisa da minha geração. saio no sinal, presente do indicativo making mirrors de
gotye, se acelero no entanto o trenzinho caipira me vem uma devastação cantiga
de rodamoinho. entro pela contramão até acertar a garagem da cel monjardim,
olho acima do vale do carmo e a lua cheia que pende o cimo do meu olhar incauto
é qual luminária balançando no vento. dança. a cara de mármore do prédio dos
meus pais me espera com a nostalgia das salas enormes que perderam querelas
festas de madrugar madeira de lei na tábua corrida, o jacarandava pra sonhar um
futuro naquela biblioteca, e hoje que estou triste não sei que lhe escrevo
pássaroavuô daqui do mac sobre a peroba mica até teu chá rosa, perto da mesa
bonita de demolição. e quando também lhe fizer serenata da praça a música
pópular brasileira não me acorda do brasil, tanto menos do texto destrinchando
o olhar na companhia das letras difíceis. auto
inexistente verde musgo, carro do qual lhe vi a regressar da planície onde
galopavas com outras musas também raptadas por corcéis encantados, vc e outras amazonas que
não desejam domar a força de uma doce síndrome de estocolmo. atravessavas a
rua contra o tempo. chuva. tua voz, que não vou comentar, eu também decorei,
mesmo com o grito em muting meu stand by retórico não deu conta e voltei
atrapalhando o trânsito. ali pela outra rua onde alguém pichou que nieztsche
está morto. se não me engano morto sem o s. como não lhe encontrasse, velei
pelo meu caminho um desvio arrancando de chronos nova tentativa de chegar ao
castelo longíncuo em que talvez habitasses aquela mesma tarde, radiante de nós
por algumas horas. nosso desencontro é pura ilusão. pela coleção de sonhos em que
insurges tuas frases certeiras as vezes me lançam inesperado jongo de raíz
quando acarinham no apogeu uma citação dos ramones. conversa rápida. chovia e
vc parou de falar, só me olhou bem fundo. vc perguntou assim na lata o que era,
porque eu estava assim baudelaire desbotado da ellus. se era o tempo. se eu
queria trocar a música que não ouvíamos enquanto chovia sobre bento ferreira.
água desesperada mas dentro do carro chet baker cantava com um silêncio de
beijo, um som que depois de um tempo eu te disse, aquele gosto azul é rosa
também. chuchuchuchu lá fora. vc revidou, vc e seus vestidos, dizendo que meus
lábios são secos, mas eu gosto de sorrir. que eu sou egocêntrico. que eu não
tenho como prender toda essa tristeza, e aquelas noites de festa e os móveis, o
piano que aos cães desafina. que o olhar agudo dessa noite é bem maior que nós.
que vc gostou quando me viu chegar.
31 janeiro 2013
24 janeiro 2013
canção que vai chegar
discurso com gestos de glauber bermuda
jeans até os joelhos com os pelos das pernas desenhados pela água enquanto lhe
explico sob a chuva rala, as maserati tem o emblemático tridente da lança de
netuno no radiador. o ronco é mesmo igual à do filme em que o homem que só tem cabeça
sorri, bonito e jovem esportista radical do século passado. intocável. tirando
o resto de franja da testa aponto navio faço cara origem da tragédia e por
momento a nietzschiana filologia dos out doors é sinistro poema neoconcreto. o
pássaro de asas negras rasga a praia qual filme enquanto anoitece trilha sonora
de ennio morricone e num pedestal de areia desnovelo amenidades do trânsito,
comento o futuro de uma cidade anódina, de outro tempo trago a tez da geração
sem dor ou arte, embrenho as mãos nas nuvens ao reger a fabulosa orquestra que atravessa
ao poente nos desvelamentos à caminho da linguagem que o desejo atonal apraia,
derrama até o colorário rosado ser a tônica de gosto e sal. o ar ferroso nos
envolve a morte certa dessa tarde, o segredo bonito que ela tem enquanto o
choro do vento sul arranha minhas costas com o carinho de medo nas unhas superficiais.
não é sonho. vôo camisa preta mangas compridas etiqueta fora do jeans velho
magrelo, sinto de couro marrom de fivelas prateadas, cabelo desgrenhado desde
aquela década, carta náutica de uma última viagem noite de lua: sobre as
cidades, onde os falsos problemas esvaem e o sr. whitman joga folhas na relva
dos telhados das casas burguesas já demolidas, silenciadas, modernas, perdidas.
12 dezembro 2012
risadas
H
– ...coisas absolutamente iguais, meu nome quase é wood
A
– rs, e porque não muda? faça outro filme...
H
– a forma mais elegante de persistir com um desejo é mudar
A
– e por que insistir repetindo, e não persistir mudando?
H
– eu também vou pagar a conta,
que é pra nunca mais ter q saber quem
A
– talvez fosse melhor pagar a conta do Jairo, que está “estripando” o comando
de válvula da tua motoca ca ca ca)))
H
– (sorriso, silêncio, uns 30 seg.)
A
– e como foi o jogo de sinuca?
H
– ah, agora há pouco. tipo happy hour
A
– um reencontro então..
H
– conversa amistosa, velhos amigos
A
– mas vc disse que foi apresentado a um sujeito...
H
– ah, sim., era O Lobisomem
A
– e ele é conhecido da Julia...
H
– não pode ser... todo mundo conhece todo mundo
A
– todo mundo quem?, vc disse que...
H
– ele, O Lobisomem conhece o Ulisses
A
– o Ulisses já voltou então da viagem que fazia, ele finalmente voltou pra casa?
H
- voltou
A
- estava no jogo de sinuca, no happy hour de agora há pouco então..?
H
– não, ele ficou no engarrafamento ali perto do penedo
(pausa
de semibreve)
A
– vc disse semana passada que o Ulisses conhece a Julia.
H
– disse
A
– e que essa Julia conhece de vista O Lobisomem, e que ela também lhe escreve
canções sob o luar e que..
H
– eu disse isso
A
– disse. canções sob o luar e as vezes cartas, poesia...
B
– eu é que sou muito imaginativo. afinal talvez o mundo diário seja imaginário
com um resto da realidade
A
– o mundo é real, mas ainda bem que existe um resto dele imaginário ário rio io
o)))
H
– não sei por que lembrei da palavra ariel
A
– hmm, Sylvia...
H
– isso, Sylvia Plath
A
– vc já me falou do poema Ariel...
H
– tua memória chega a me assustar mais que a minha
A
– vc disse que vc e O Lobisomem conversaram, algo sobre o párraro de asas
negras...
H
– certas coisas são um mistério
A
– no entanto reais, como tua alergia ao ar da cidade.
H
– liguei pro Jairo hj, mas o comando de válvula original só semana que vem
A
– bom então, espero vc próxima sexta.
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