12 dezembro 2012

risadas


H – ...coisas absolutamente iguais, meu nome quase é wood
A – rs, e porque não muda? faça outro filme...
H – a forma mais elegante de persistir com um desejo é mudar
A – e por que insistir repetindo, e não persistir mudando?
H – eu também vou pagar a conta, que é pra nunca mais ter q saber quem
A – talvez fosse melhor pagar a conta do Jairo, que está “estripando” o comando de válvula da tua motoca ca ca ca)))
H – (sorriso, silêncio, uns 30 seg.)
A – e como foi o jogo de sinuca?
H – ah, agora há pouco. tipo happy hour
A – um reencontro então..
H – conversa amistosa, velhos amigos
A – mas vc disse que foi apresentado a um sujeito...
H – ah, sim., era O Lobisomem
A – e ele é conhecido da Julia...
H – não pode ser... todo mundo conhece todo mundo
A – todo mundo quem?, vc disse que...
H – ele, O Lobisomem conhece o Ulisses
A – o Ulisses já voltou então da viagem que fazia, ele finalmente voltou pra casa?
H - voltou
A - estava no jogo de sinuca, no happy hour de agora há pouco então..?
H – não, ele ficou no engarrafamento ali perto do penedo
(pausa de semibreve)
A – vc disse semana passada que o Ulisses conhece a Julia.
H – disse
A – e que essa Julia conhece de vista O Lobisomem, e que ela também lhe escreve canções sob o luar e que..
H – eu disse isso
A – disse. canções sob o luar e as vezes cartas, poesia...
B – eu é que sou muito imaginativo. afinal talvez o mundo diário seja imaginário com um resto da realidade
A – o mundo é real, mas ainda bem que existe um resto dele imaginário ário rio io o)))
H – não sei por que lembrei da palavra ariel
A – hmm, Sylvia...
H – isso, Sylvia Plath
A – vc já me falou do poema Ariel...
H – tua memória chega a me assustar mais que a minha
A – vc disse que vc e O Lobisomem conversaram, algo sobre o párraro de asas negras...
H – certas coisas são um mistério
A – no entanto reais, como tua alergia ao ar da cidade.
H – liguei pro Jairo hj, mas o comando de válvula original só semana que vem
A – bom então, espero vc próxima sexta.

30 novembro 2012

Alchimie de la douleur


O jogo de sinuca. Naquele bar que não existe mais e o narrador trará à cidade manuscrita, puro les temps retrouvé pós-tronco tupi; aquele da porradaria dos que viam filmes e acreditavam na propaganda do Jack Daniel’s. O templo redescoberto é dos raros amigos que os homens tem para tentar falar. Jony, Marlon (já gordo mas ainda o mesmo), Kaspar Hauser, Bram Stocker (não via desde o Cinema Estação) e O Lobisomem, naquela tarde apresentado. Até mesmo eu tenho um lado humano, ele me diria depois. Conversa Heineken enquanto eu matava todas. Muxoxo e reclamação no elogio da loucura do poeta, venha-me Erasmus. Eu jogava depressa, hora marcada no analista dali há pouco é perto do monstro do Sacré Coeur e estava à pé. Ouvia de Kaspar: Tua motoca, mané, tá no Jairo mecânico.. estripada no comando de válvula original e o nervo, umas peças estilhaçaram. Meu celular no silencioso não poderia escutar tua chamada, que até então guardara como uma flôr no bolso: Perto tinha uma mesinha qual bandeja com as cervejas, onde pousei óculos releitura meio grau, i-Phone em pane que bloqueia Istagram e meu caderno de números. Matador de quina. Meu adversário profundo era eu mesmo e os outros, eus mais falantes. Já não falava sobre a mesa tabaco do escritório ou do Flamengo kitsch popular cravado na Gávea. Hipódromo, onde fostes meu fim? --- sinto a alergia no corpo depois desses dias de remédio: corte, do camarim ao palco és um parreiral de febre, o pó. --- Lá fora o pássaro de asas negras voava sobre a praia do canto menor;, anoitecerá o rosa derramado no poente há 7 quarteirões, 3 bairros e 1ma montanha de você. E o som do Massive Attack subwoofer questionará meu corpo magro. Aquele Dancin' Days elidido.

01 novembro 2012

Voragem


No 3º sinal eu cheguei perto de você. Tuas mãos descansavam leves no voltante. Tua boca tinha o gosto azul ou a tarde imperativa passada da praia que anoitecera mar intenso a te acarinhar a dor; e para as festas imersas no vício dos homens pelo black tie o calafrio de uma felicidade, roubo de um sorriso, de silêncio em silêncio em som sem lei, quando a lei não era a cura e nos achávamos, no corte na releidura inflexível no tempo do sinal vermelho tua pele banho de lua era doce; com palavras desconhecidas e esperanças plagais. Era isso. E quando ia terminar o beijo, devagar e denso, no teu carinho eu senti tuas mãos no meu cabelo e na minha nuca. No meu ombro esquerdo. No meu brinco de prata.

Eu falava, high level. Você dirigia mais devagarinho, meio sorriso como se me mangasse ou longe de acreditar me prateava de si, e num momento, com muito tato, chegou a perguntar o que era que eu dizia aquele dia; e eu te disse, quero lhe dar um presente. Está aqui; e fui abrindo a bolsa preta da CAT que usei para atravessar o parreiral prensado pelas escavadeiras tropicais. Daí deu o terceiro sinal, ali perto da rua matriz de Bento Ferreira e tocava Tom Jobim, som do carro que me tirou o prumo.

Meu coração sente a prata da lua, e assim no presente me lembro de antiga reportagem do antigo Corvette na antiga revista de carros modernos dizendo que a vida começaria aos 140km/h. Clint Eastwood republicano elabora que “se existe uma arma no recinto eu quero que esteja nas minhas mãos”. A cada sinal vejo você debrear o vestido caqui palmo acima dos joelhos. Evento. E de súbito emendo discurso desde os casarões do Barro Vermelho, falo com uma dor e uma solidão passarinhadeira avarandada, contra o vento que fui e sou o incêndio dentro do peito é um segredo sem mundo.

A cidade impressionista nas janelas, quando o carro vencia o asfalto. Enquanto dirigia, você exortava também ao trânsito de presépio que Elmo Elton não adivinhou; e com uma doçura no corpo volteava em gestos a escolha de vestígios, restos de ruas que se juntando na composição de um texto lido me enfrentavam na dança sagaz de um primeiro parágrafo com uma bala de prata como ponto final.

,.