22 setembro 2010

Camburi

Lancei no mar as fotografias da chuva, enquanto estudo frases, dicções. Seriados da tv à cabo. Volto o coração da tarde em corpo no intervalo pro café expresso, sendo ele coração-pedra-plástico.. esses cafés de cinema onde eu te meto medo em cartaz. Qual saga enseja a dos estudantes?, também eu finjo que chegarei no horário. Procurando o diário de Sylvia Plath, que não viria a ser consolo, essa coisa selvagem dos livros se sabe o que é: lá escritos, estamos voz em sonho, vastos finitos onde havemos nós pela carne dos olhos todas as cidades visíveis. Quando me contemplas de longe, e averiguas minha dor sob holofotes, meu perfil desenha o masoquismo dos heróis modernos, deletados pela antiplasticidade contemporânea. Azul Prússia profundo, onde choras de gozar perda e matizes que sou os nós dos mártires que se sabem sal, e neste mundo de anestesias, quando perfilas descalça uma a uma minhas vírgulas em epifanias banais.

15 setembro 2010

Diesel Power

Homem mortal. Vai lá na Casa & Vídeo e chafurda Led Zeppelin na fila coloquialesca. Era a juventude, a memória que transfigurava. Evaldo Marques com a chave que abre a vitrine de telefones aguarda tua decisão; não sabe que na cuca vc rasga Perséfone batom Lancôme when the levee breaks. Ela te aperta nas coxas um Hades. Boca. Siempre reparavas nos olhos argutos, (mas...Sim) (x1...xn) hoje a boca. Rock. Enquanto, Evaldo Marques explica as funções dos monstros de antenas embutidas, e falsos problemas não vão à boca o quão disparam tua verve para a cretinice com mãos nas coxas de Perséfone, que lhe dá carinho e dor e a boca antes exígua em teu ombro. Un beso húmedo sin hablar, pensas e estás só. Politicamente vc quer leituras funcionais, aprender tirar coelho da cartola. Arghacadêmicos falai. Chazinho com os doutores da lata lei é a vida de Evaldo Marques, filho de pai motorista aposentadoria forçada pela lente multifocal gasta, mãe enlouquecida pela falta de psicologia e tome remédio. Depois dos dezesseis anos trabalhou em lojas, tentou viajar pros estados unidos com letra minúscula é ocaralh. Não deu certo. Evaldo Marques vem e abre na chave a vitrine dentada, com licença da dona gorducha que ao lado decifra um batetor de carne, depois chama o marido, ..ôJorge, vem cá. Classe média, falai. Outra atendente vem e rebola coisa com coisa, desconversa sobre o alcance em ondas do apetrecho. Seu nome, Mariene Rocha, encrusta o crachá há duas gerações. Sutian preto com desenho vermelho sob a camisa bege progesterona de malha, leva nas caixas o maquinário que Evaldo Marques, rápido no olho, vai pegar no almoxarifado. Vc está cansado do mundo; vc escolhe o Ericson e confere o ganha ganha numa senha té que Evaldo Marques some no brasil da Casa & Vídeo. Vai, homem bom da classe média, vai. É hora da fila em serpente, vai. Deixe esquecer se existe ou vive, homem mortal, e depois dá-lhe.

05 setembro 2010

5 setembro 2010

...consigo ler nada, e nem tenho vontade. Faz tempo não leio livro inteiro, texto, bula. O império das metades, sua oferta de mundo e minha vista no mínimo diferente tiram o foco do imenso filme em que sou um dos personagens. O problema da vida é que ela é real, não dá pra voltar, escolher melhores cenas, solo de guitarra Gibson SG. Em alguns casos não há história, em muitos expectadores. Também faltam coadjuvantes, dos que contracenam quase nenhum é “um dos raros” e, (...ou pior), os inimigos não são inteligentes. A inteligência dos inimigos, em tempos de Oscar Wilde, era o elogio fino, a confirmação em contraponto de uma idéia ou várias sobre a existência em metáfora, sua extirpação do cotidiano bege, a pincelada de élan na palidez com o essencial de uma narrativa interessante. Passei por isso tantas vezes, será fácil. So please now... talk to me / tell me, things I could find helpful. Antes que digite o oráculo e venha a cara da Medusa, continuarei observando a saga a-Ha do Dr. House 4 shared até que meu antialérgico faça o efêmero efeito.

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