08 junho 2010

corpo lírico

o poema
quando o vento sul não cala
é dentro e te pega alça
e corpo lírico é violão
da noite invicta e cinema
é vestido de mulher descalça
e fora o gosto na boca é bala
em dedo e corte alegria do cão
no céu de vôo é rosa e exala
e dói e sorri quando é problema
faz água e declina sendo não
depois volta e vem valsa
e solto é voz quarto de rua
enluara leve quando a boca estala
se o gosto gruda é papel de pão
experimenta a frase que é alegoria
e força a palavra nua
frágil, doido, blusa, calça
é paixão de bicho sem dilema
se usa uma língua que não fala
é noite clara igual poesia
ou grato e nuvem que flutua
é poema

27 maio 2010

satélite

nuvem perdida, distante daqui
esvai voavem refletida
ou sobrevoa a cidade além
no mapa inteiro deita à vontade

nuvem esquecida, de piquiri
teu alto campeia molha minha vida
quando nada sei te espalmo marinha
e teu interior me faz calmo

08 maio 2010

La musica y la palabra

Sofro feito burro sem rabo a puxar carroça e chaga. Volto com sortimentos dentro da bolsa rara dos homens lavrados, o que era a juventude?, onde estivemos enquanto pecávamos à tarde? Meus livros são descaramento e desejo de um bacanal de palavras; os homens não as compreenderão até que eu abuse do encantamento das vogais.

…e bebo o ventre da Musa no chope enquanto ela chora pra mim, molha minha boca. Quando não falta carinho, o romper da alvorada cansada rasga, o sonho de um sol maior y la palabra es mui buena suerte. Paciencia. Espero que te guste…

Teu novelo de palavras desdenha meu silêncio, pega minha gravata, lê meu black tie antes de dormir. Sei que você sabe que ambos nós dois havemos num pleonasmo para usar, a lingua vira nosso vício comum sem lábios. Revira um tecido erudito adamascado nas laterais, a borda depilada às nuvens no céu revida o segredo próximo o poema

Se escreve tanto procurando por pontos finais.

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