27 dezembro 2009

Planalto

A solidão da árvore esquecida no meio do descampado, sua conversa de ar com nuvens rechonchudas atravessando o céu do planalto central

(...)minha cabeça é um i-tunes misturando In Rainbows com Kid A. Leio ao largo de uma melopéia secreta e sôfrega o cansaço do corpo magro da tarde com o cabelo jogado nas costas se o vento surta cheiro de flor

..Ao escrever crônicas, coisas sem destino, leio também o livro que comprei no sebo de ipanema, aquele sebo que não é mais o mesmo nome, contudo agoniza em mesma galeria. Aqui, pela internet, acompanho o blasé de blogueiros já editados que cospem nas minifamosidades que os fizeram, ditam que o Leblon é sacal só porque vivem lá. Tão fácil esquecer. Hoje fui ao culto matutino, mensagem justamente sobre memória, citação da primeira epístola de Pedro. Ah, ninguém quer saber. Estou no meio do Brasil, o verde é imenso, e o banner da Claudia Leite ex Babado Novo (isso é muito oral), também. O Brasil está em promoção. Dessas noites vastas de sal sonhei com Rubem Braga, que conversava num pasmo com Nelson Rodrigues. Era sonho e ambos estavam vivos, eles sobrevoavam vitória, a cidade presépio, num vôo horrível da gol e chutavam que a lei Rubem Braga um dia seria limpa, quando os artistas medrosos tivessem ambição. Era a fala do Nelson. O Rubem apenas comentava que o Zé acredita que a lendária cobertura da Barão da Torre está na Praia do Canto, ou pior.

11 dezembro 2009

Interiores

Richard Jonas viu a árvore nascida, mas não se compadeceu. Socou retirada certa, dum soslaio olhando o nada por de cima do monte. Que me importa que nasçam e morram? A vida gasta dos lavradores tinha descido goela abaixo na cana da noite em folguedo, Que paga nova me darão por falar a esse povo? O dia amanhecia com bafo boi lambe, assim também as mulheres da Casa Nini, que despertavam da perversão dos homens.

O alto do cume é para os que podem observar a ganância, sem perdê-la em si. Richard vestia a camisa pólo azul cobalto dos setores também azuis, aniquilado gestor de idéias e chateações, Já lhes falei da lei dos homens e do arrependimento dei-lhes na face o punhado que merecem, agora bastem. Assim se sabia, quando os justos se erram da esperança não têm o porquê a dar em boas novas.

Caminhando pelo eirado Richard Jonas rememorou o filho, o sorriso de moleque já fotografado na mente. Cabeça de homem é uma mentira. Acreditava pio que sua empresa findaria a última laje para inaugurar uma sede amadurecida, igual aquela árvore. Mas em verdade árvores já não o tomavam. Delirava em silêncio memória sobre memória decidindo deixá-la no alto do cimo absorvendo o Sol da Justiça, até o momento certo de cortá-la.

14 novembro 2009

Brega

o nome ex-iste
é tanto o cais
se mundo ecoa
a banda é fullgás
a platéia desiste
e suborna e abençoa
sorrindo até mais
depois vaia cidade
(centro, moscosais)
feita trânsito em riste
atropela e perdoa
quem vem alma nobre
ou legando verdades
vá sumir sem mais.
de repente a cobre
uma média boa:
registros, anais
sua classe de esmero
aceita quem faz,
entroniza à toa
beleza e maldade
bate estaca ou bolero
desde que pague mais
e sorria ao pobre
e coma a preta boa
e encene Quo Vadis
até ficar triste,
a vitória entoa
seus festivais;
óh venham artistas
vós editais
o titiu rubem fausto
no dorso do estado
vós sois os turistas
très chic do gado
revolucionários
com sua butique
finjam niilistas
de cu exausto
aos operários
da cultura wiki

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