Você pode ver no filme da competição de adestradores que passa na tv a cabo. Enquanto a musiqueta da orquestrinha vai tocando eu ando de lado. Depois marcho. Galopo levitando até a cauda parecer cabelo de novela. Essas modelos. O dono vai lá pra depois dos 50tanos e bebe uísque sentado numa das mesas de arrabaldes, observa à cercania duas moças uniformizadas em branco íntimo. A terceira delas está em cima de mim. Sobedesce escanchada de pernas abertas vestindo obediente um colante de mocinha alva que sabe cavalgar. Permaneço em silêncio obsessivo. Os cavalos não usam palavras.
Como diz o Emerson, Lake & Palmer, Oh... ces´t la vie. Who nows... Se eu fosse americano diria facof, mas sou um bruto brasileiro e quem não gostar eu prendo e arrebento nas patas. Dizem até ter saudade de mim pela internet quando me comparam aos novos. Pra mim, tudo tanto. Um nada. Faço meu número, os ricos gostam de se entreter animais.
Penso enquanto dona mocinha vaivém fodida pela sela. Filha da pátria inteira. Vou marchando... igual um amigo do meu pai que, em tempo de eu menino, marchava pretéritos desfiles ao 7 de setembro em ferradura altiva, ele era importante. Desenvolveu um ar marcial, mesmo entre nós, dizia meu pai com certa mágoa de funcionário público. Com a abertura política, apesar disso, o inchado foi ficando melancólico, tudo perdera força, relincho. Tenho medo de ficar igual. Um mínimo toque de bota e já sei: tenho que sair andando na diagonal direita, ai que vontade de mandar dona mocinha pelos ares. Mas não faço, corto o pátio igual idiota figurante de mim mesmo enquanto aplaudem a jovem. Ela sorri dentes brancos de humildade; agradece, a égua.
Como todo cavalo bem tratado, recebo banho e massagem, além da escova. Tem dias que não resisto.., penso numa potranca vizinha. Dona mocinha olha, parece também fazer comparações usando minha pessoa. Pessoa, eu? Esses humanos. Do outro lado minha contígua se abana, já sabe que existe um destino. (...) Depois de filmado no último evento, virei astro. Ouço que eu estava um verdadeiro animal; Quero você assim animal. Tão delicada essa novilha.
14 julho 2006
27 junho 2006
Atol
A biblioteca está fechada. Estou dentro dela alucinado, pelado e morto. O que mais gosto nesse antialérgico é o slow motion, imensidão oceana e azul. A biblioteca com outras palavras nos envolve púberes aparentemente sem propósito; eu, todos esses editados e algumas sereias. A gente sempre repete, é a praga lacaniana.
Debaixo d´água o mundo é silencioso; estúdio de gravação. Danço tão Manuel como dancei na piscina do sítio em Niterói defronte onde filmaram a Escrava Isaura. Não encontrei Isaura, vi janelas imensas fechando a noite sem o branco na pele de Isaura. Escravas aristocráticas casam com senhorinhos de engenho, sonham com o sofrimento nas mãos do capitão do mato. Os livros abrem pernas seminuas e nessas folhas ensino um eterno nado de peito na borda noturna porque Isaura não sabe respirar.
Jogo pra lá uns livros de Rimbaud, problemáticos por esporte. E essa edição do Dicionário do Folclore Brasileiro, do Câmara Cascudo, agoniza mofada desde o sebo. Dentro dele, na primeira página tem uma poesia horrenda que a última dona colou antes de disponibilizar aos fanáticos. Eu sou isso, fanático. Penso na dona que vendeu o Cascudo ao sebo, onde eu comprei os 2 volumes; Não sei por que razão me importa isso. ...
Mais agora, finda a leitura da graciliana angústia, aquele menino chutando ramos da grande árvore no fundo do quintal alado. Agora está morto. Sem ponto exclamação sou cidadão sem exclamar nada o absoluto de cronologias que a rua lá fora cegou, passam das 3 da manhã de escuro. O texto fechado do rap em francês na música do Sting tem uma nostalgia, enfraquece na cabeça Concorde ou não o jato de sêmen que vai inventar outro mundo. O que tenho está perdido; amigos, continentes, cidades, bacantes, sátiros e florestas.
Danço dentro d´água, drogado de memória. Pior que o memorial é ser visionário. Daqui do sertão pop a vereda mexe os pelos de vento nas pernas. É o sopro do gênio que vence uma terceira margem de outro rio, fecha o livro.
Debaixo d´água o mundo é silencioso; estúdio de gravação. Danço tão Manuel como dancei na piscina do sítio em Niterói defronte onde filmaram a Escrava Isaura. Não encontrei Isaura, vi janelas imensas fechando a noite sem o branco na pele de Isaura. Escravas aristocráticas casam com senhorinhos de engenho, sonham com o sofrimento nas mãos do capitão do mato. Os livros abrem pernas seminuas e nessas folhas ensino um eterno nado de peito na borda noturna porque Isaura não sabe respirar.
Jogo pra lá uns livros de Rimbaud, problemáticos por esporte. E essa edição do Dicionário do Folclore Brasileiro, do Câmara Cascudo, agoniza mofada desde o sebo. Dentro dele, na primeira página tem uma poesia horrenda que a última dona colou antes de disponibilizar aos fanáticos. Eu sou isso, fanático. Penso na dona que vendeu o Cascudo ao sebo, onde eu comprei os 2 volumes; Não sei por que razão me importa isso. ...
Mais agora, finda a leitura da graciliana angústia, aquele menino chutando ramos da grande árvore no fundo do quintal alado. Agora está morto. Sem ponto exclamação sou cidadão sem exclamar nada o absoluto de cronologias que a rua lá fora cegou, passam das 3 da manhã de escuro. O texto fechado do rap em francês na música do Sting tem uma nostalgia, enfraquece na cabeça Concorde ou não o jato de sêmen que vai inventar outro mundo. O que tenho está perdido; amigos, continentes, cidades, bacantes, sátiros e florestas.
Danço dentro d´água, drogado de memória. Pior que o memorial é ser visionário. Daqui do sertão pop a vereda mexe os pelos de vento nas pernas. É o sopro do gênio que vence uma terceira margem de outro rio, fecha o livro.
09 junho 2006
Démodé
O narrador demora a perceber que não tem uma estória. Finalmente acende um cigarro, ele que não fuma mais. Dentro do texto o homem de 40 anos traga a noite, anda pelado por um corredor, acende três da matina uma metrópole.
Nada mudou o texto, ponteiros e relógios. A persistência da memória ataca. Demente depois de surfar por inocentes leblonianos. O narrador observa. Fã que era das novelas de Gilberto Braga. Esperava o desfecho quando Ana Regina apareceu. Ela e sua antiga rival imaginária. Mulheres que hoje também esperam. Grávidas, amalgamadas.
O narrador luta com o editor de texto, não aceita palavrões. Respira com peito de galo olhar imperial, depois arremete até a sala. Mete no fundo o bastão de pau rosa na bengaleira com chapéus. Lembra que as fãs do personagem adoram a roupa de toureiro que o pobre ainda não sabe que terá. Todos esperam algo, estão partindo.
Amanhã o homem de 40 anos se olha o espelho. A barba Nikon, o Pretobarba Hugo Boss Nº 1. O dia começa uma estória ou coisa sem protagonista. O discurso do romance contemporâneo não suporta mocinhos,.. as raparigas sem sombra de dúvida jogam respostas enviando flores e cartas, querem a lei do abate lá dentro da narrativa. O narrador não sabe por que o homem de 40 anos as recebe; se lhes responde? ensinará, mostrará a dor dos fonemas com letra minúscula? Não.
Nada mudou o texto, ponteiros e relógios. A persistência da memória ataca. Demente depois de surfar por inocentes leblonianos. O narrador observa. Fã que era das novelas de Gilberto Braga. Esperava o desfecho quando Ana Regina apareceu. Ela e sua antiga rival imaginária. Mulheres que hoje também esperam. Grávidas, amalgamadas.
O narrador luta com o editor de texto, não aceita palavrões. Respira com peito de galo olhar imperial, depois arremete até a sala. Mete no fundo o bastão de pau rosa na bengaleira com chapéus. Lembra que as fãs do personagem adoram a roupa de toureiro que o pobre ainda não sabe que terá. Todos esperam algo, estão partindo.
Amanhã o homem de 40 anos se olha o espelho. A barba Nikon, o Pretobarba Hugo Boss Nº 1. O dia começa uma estória ou coisa sem protagonista. O discurso do romance contemporâneo não suporta mocinhos,.. as raparigas sem sombra de dúvida jogam respostas enviando flores e cartas, querem a lei do abate lá dentro da narrativa. O narrador não sabe por que o homem de 40 anos as recebe; se lhes responde? ensinará, mostrará a dor dos fonemas com letra minúscula? Não.
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