28 novembro 2005

Nikita

#1 É sempre ótimo rever o original de Nikita - 1990, de Luc Bresson, antes de mergulhar na série hollywoodiana. Esta, uma refilmagem do filme francês, feita por John Badham (A Assassina, 1993).

A versão nova, La Femme Nikita, baseada no original francês, tem uma trilha bonita:, Hednoize; Morphine; Morcheeba e o excelente Depeche Mode, mas a diferença do olhar é clara. Com a trama à frente do filme, a versão americana dá um passo na direção dos best selers da tv fechada. A loira do filme, sem a delicadeza de uma Anne Parillaud, tem mais intimidade com a pistola do que com a personagem. O sucesso de algumas séries parece ser a ausência de uma sensualidade sofisticada, assim como foi sofisticada a leitura de Luc Bresson de uma Nikita, criada para matar de prazer. A Nikita paga por assinatura não é histérica; não cansa do salto alto; não se assusta com a arma que usa tão bem; não sabe o que não fazer; não chora; não mata. Não é doce. Tio Sam prefere mulheres sem gosto.

#2 Terminei o arrebatador De fato e de ficçãoEnsaios contra a corrente, do Gore Vidal. Aliás, vi um filme chamado Gattaca, em que ele trabalha como ator. ...

23 novembro 2005

Severina Vuckovic

#1 Texto ótimo do Pedro Dória, sobre privacidade: “O filmete tem onze minutos de sexo explícito. A câmera não se move, não há zoom, está fincada num tripé ou apoiada num móvel. O casal está ofegante. Não há gritinhos; no máximo, murmúrios. A moça é estonteantemente bonita: uma morena de cabelos chanel, lábios espessos – às vezes, faz caretas que quase lembram dor, mas não são de dor. É uma estrela pop na Croácia, Severina Vuckovic, tem 32 anos. Em todas as imagens do filme pessoal gravado num quarto de hotel, o mais evidente é aquilo que nunca há em filmes pornográficos: um sorriso terno. Carinho assim, tão íntimo, desconcerta, não é para ser público. Mas não há buraco de fechadura ou risco de flagrante na indiscrição: o filme feito para consumo próprio caiu na rede. Nunca mais será apagado. A intimidade de Severina é pública. A privacidade dela acabou.” ...

#2 José Dirceu: "Não temo nada, não peço nem clemência nem misericórdia. Quero um julgamento justo”... “Não sou réu confesso e eles não apresentaram provas contra mim.” --- Só pra lembrar.

#3 Voltei a ler o Excepcional livro de Gore Vidal, De fato e de ficção – Ensaios contra a corrente, Companhia das Letras, tradução de Heloisa Jahn. Estou na página 162, do texto intitulado Letras Francesas: Teorias do novo romance. Vale a pena.

22 novembro 2005

A Música Silenciosa de Peter Gast

#1 Estou organizando uma série de desenhos feitos de 1995 a 2005 para uma exposição; preciso scanear todos eles depois de descobrir seus nomes. Mas scanear onde, como, e com qual resolução? Será o colorário do meu le temps retrouvé. ...

#2 Encontrei o título do meu livro de contos, ou crônicas. Enfim, do meu crônico livro. ... Terminei o de poemas. Mais um pra via crucis. ...

#3 Resolvi ser, também, um esportista. Parei de tentar voltar a acreditar que voltarei à natação (uma sublimação que não voltará da adolescência). Logo que o ranço fétido do Vital é ser feliz for desarmado de Camburi, vou correr igual um desesperado, pensando no mercado editorial, e outras coisas. Sangue.

#4 “Os ombros suportam o mundo”, Carlos Drummond de Andrade.

#5 Acordei enquanto sonhava com uma música de Caetano Veloso. Parecia que eu andava pela Urca de noite, olhava a luz incendiária da Praia de Botafogo. Éramos jovens, eternos, perdidos na noite e de repente acordamos 10 anos depois.

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