acordo no quarto
e desde o inverno campeio o mundo
ornado como um deus
tomo sol na praça do cauê
do norte ecoa o som valvulado
do dodge charger de meu pai
lá do futuro em sopro
no outeiro vermelho se foi
venho em sonho
até ser desperto
e apreendo a música de longe
perto de mim escuto a tarde aprendo música nas coisas exatas
até perder a hora de morrer
livre como um lagarto
tomo sol na pedra bruta
que parece miniatura do pão de açúcar
.
desenho o carro
enquanto meu rosto descarna de si
o caleidoscópio de tantas idades me espera
passar pelo tempo do dia
este silêncio que é ser homem
a voz no meu canto é do campanário
de uma única cidade que tange o mundo
e o inventa e o polui
.
acendo as luzes
nas imensidades da sala
estão as festas que se apagaram
e ando sozinho pela casa vazia de todos
no sonho de um mortal
reconheço em meu caminho
o real de sua arquitetura
que decifraria minha idade
se também em sonho meu corpo não fosse o de hoje
.
escolho palavras de um colóquio
para minhas vozes de sublimar o vento
as palavras únicas são as do poeta
com seu uso da vida
o amor o sonho a perda o mundo
um mundo já está dito
porque as palavras tem mesmo nas mentiras
uma música veraz
.
espero o dia concluso
do nome entregue ao algoritmo
e o resto é silêncio impossível
olho a planície da avenida
na releitura das cartas ao mar
com as centenas de cantos perdidos
mas outro de um tempo
acendo o cosmo de pixels na cabeceira
mais do sampler que da arcádia
e acordo aqui
.