o fluxo do tempo não cessa o azul
que é o céu, quando olha para cima e o orbe exato nos sustém todos. o dia é
plástico e revigora na obstinada ilusão do calendário uma força sincera. meus
olhos impregnam de realidade, estão opacos, mais que antes; e meus óculos de um
grau se tornaram profetas de clarividente iluminação. eu seco aos poucos este
caderno com palavras de risco e o corte de cada história a musa guardou no fim
do mar, longe da imitação do canto do guriatã.
na agressiva academia o olimpo é
exausto, e instalo meu problema sonoro. a interseção é uma questão para a vida.
estou em ruínas depois do texto de douglas crimp, sou um museu de ossos
modernistas de pedro nava. hoje estou mais velho. sou meu ancestral e também
meu herdeiro.
a luz árida do sol à pino queimou
meus braços gratuita e livre do meu afeto pelo verão. igual um steve macqueen
dos carros e motos sinto em plena dante michelini o ponto nó de tensão que
acende no ombro esquerdo e aos poucos alcança as pontas dos dedos. é no
penúltimo sinal que me vem à janela o diretor enquanto troco o chemical
brothers de swoon para escape velocity: vc tem que dirigir essa porsche com o
semblante turvo, cansado, braço doendo por causa da pancada com o carro que vai
ganhar a corrida...
é o momento que desperto no
sinal verde e reinicio a reta imensa que se estende livro de john fante sobre
mim no vinho da juventude. o texto em que disserto sobre os claustros
palacianos do moderno e da contemporary art me vem num frame e lembro que sal sem carne(1975) é uma instalação
concebida nos estados unidos e concretizada no brasil. antes de concluir
meu artigo sinto a dor pousar em meu braço esquerdo igual sombra de palavras e
gestos em segredada interseção numa dança de memórias e imaginações onde volto
ao sul, com meu desejo, meu temor de jamais acordar desse sal