18 agosto 2011

eco

coração selvagem, tua história sem roteiro é vasta, ecoas pelo descampado um reverb em vencidas palavras. escutas o vento delay retroage aquele solo, a guitarra que se perdeu entorna no real. quando sol queima cera de tuas asas, tua queda vai no poema cai de paulo leminski e encerra o torpor da tarde. casto habitas oceano de linguagem, vício e quase sem corpo sonhas que já o perdeu, sublimado pelo silêncio impossível john cage with noise em que desvelas lembrares de tempos & tempos imemoriais, tanto banais, felizes, catalogáveis, essenciais: aquelas confrarias de visitas e café em porcelana: grande salão veredas de madeira corrida ainda o esperam abrindo as portas de vidro e jacarandá para o chão de mármore na varanda larga, onde as samambaias choravam a burrice de professores no colégio. voltarás, com teu capacete negro fosco negro factual epicentro de um setembro elidido, sôfrego, amante, pecador, livre por sobre aquela rua modernista colateral, e enquanto campeias o vento no desejo de carne és do suor dessa letra mais leve que a lei. sabes, aceitas, contemplas do pó ao pós em tua bíblia de estudo de genebra e calvino lhe acompanha no chope com c. s. lewis, quando comentas no bar; és o homem sem o melhor amigo; a noite da juventude é chegada; o bicho no pássaro de asas negras sobre o tanque de touro o espera e construirás a civilização sem entender um pedaço de seda. é bom que nem saibas. corre solto pelo descampado. elaborarás estratagemas à musa sensível, que arranharás com a ponta da língua, a fonte de mel velada que ao poeta se fez oscuridad. publicarás tua fome de perdida fonética ao mundo de miedo que circundas e a forma errática de tuas palavras, as coisas e sua dignidade elementar, indelével, partida, amorosa, devastada pelos sons de cheiro voltarão à si, e tua sinestesia será o gozo de teu ponto final.

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