...no chão de pedra e o mármore em sonhos de soñadores defendendo espelhos articulados que voltam ao real em primeiros esquecimentos no custo de também mostrarem faces enrugadas em seus rostos. venho de longes de mim esse primeiro homem de camus no pretérito bar brasil sorvendo o chope com gosto e palavras preliminares quando te escuto pisar fora da lei, aunque também digo e repito, repito ao quase um nada ou falo o pouco de olhar dos lirismos banais. assim absorto nessas palavras que argúem sobre mim mesmo enquanto não decifro esfinges petrificadas que de súbito ganham vida num balé encadeado e vindo a mim com seus rostos de sereia trazem livros que eu mesmo escrevi. procuro sonhá-las noutro contexto; pequeno coro que se apresenta no centro da praça vespertina da cidade de interior que é seu coreto transladado aos metropolitanos que as contém sendo cantantes; ou anfiteatro que as problematiza um bérgson em trágicas falas desde ésquilo, até que lhes vem o belo sófocles, para o qual desfaço seu retrato quando jovem. mas a investigação que se congrega na forma literária tem suas fraquezas e ao ser interpelado por essas esfinges pareço nunca ter lido o sem segredo do pequeno livro de oscar wilde: por instantes devoro-as com os olhos que as decifrariam não fosse o breu inexorável no cair de uma noite que apagará a parede com matemas escritos em litografia, admirável catalogação de intenções, vícios, canções, tecidos, velamentos, aromas, palavras e números que não consigo identificar embora os tenha sulcado até o último entalhe possível. nesse momento vejo que as esfinges também se transfiguram e lentamente voltam ao petrificado início, enquanto uma delas me contempla olhos fixos encontro com os meus a eqüidistância nas dimensões geométricas do ambiente ainda alvejado por uma réstia de luz. quando volto meus olhos para ela, sua composição revela detalhes de uma pedraria desenhada e já lhe tomou quase todo o corpo enquanto nosso silêncio se estabelece do eco de muitas palavras. assim compreendo, sua presença é minhas esperança de uma pergunta esquecida, e no momento em que sei para qual pergunta poderei lançar a resposta que sempre tive vejo seu corpo já completamente devolvido à forma anterior, quando um novo silêncio a absorve novamente, tudo mais se apaga. aos poucos sinto minha carne se encapelar com fúria, primeiro como mar que se arma no vento sul, logo depois como sólido definido que não se desmanchará no ar. menos absorto tateio com mãos que pouco já se movem e em instantes acordo num corpo de pedra.