11 setembro 2011

Through the dark

O vento joga a areia em cima da praça, e a infância da gente vai esparramada por lá. Corro numa tarde pretérita pela praia que nos acolhe na maré vazante, somos inúmeros personagens que não precisei escrever. Noutras vezes apareço ao esmo nessa outra tarde mesma, já crescido, bermuda jeans e os pelos das pernas molhados do mar, carregando um violão 1964, entalhado jacarandá que não tem mais. Entregue às raridades. Contra o vento não poderei mais dizer que não tenho lenço nem documentação. Acabou. Come-ceia ler o Folha Explica Chico Buarque e me exausta procurar-te MPB, cabe-me que passei, enquanto teu acetato me detestava, ouvindo The Police, e agora não entendo como gravei em teu corpo minhas canções,.. A verdade é que lembro de estar aprendendo a andar. Aniversário da praça que sou, o vento que venho acarinhar com força. A orquestra imaginária, a trilha sonora secreta do ouvido de dentro da cabeça, I-Pod lunar. Desentoarás meu canto com teus novos, ou dos filhos de teus antigos mestres aceitarás meu armarcord tupi com o motociclista em minha herança paterna. Quando abro os braços na praia já é de noite e rememoro os momentos em que lhe toquei pela primeira vez.

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