08 fevereiro 2010

Bm

3
Flora, consultora da empreiteira Carvalhau Ltda, observa com olhar claro quando o trator arregaça o campanário e aterra a contrição do Galo. Depois fecha a janela de cortinas também claras, prossegue em sua palestra. Usa bota ponta fina e salta o degrau inoxidável enquanto uma calça de cambraia lhe trai a beleza da coxa. Tem a cintura bem feita e rara, e as costas de sonho macio sublevam o mundo objetivo das corporações. Os seios são palavras soltas em sutiãs blindados pela moda que desenfeita o cotidiano masculino.
2
Galos de terreiro conhecem o palmo certo, o inseto diário. Acertar inseto com o bico, não pensar. A bicada política, afeita ao fim. Reconheço esse um; campeiro de mosto agreste que agora comenta a tarde puída. Perdeu tudo quando a empreiteira começou a construção do condomínio. Fica por lá, andarilho e cisco entre bagulhos. Eleva penas pro ar.
1
Tem um galo que canta longe, perdido de tudo. É uma solidão aniquilada golpeando com insistência a tarde mesquinha. O solo baldio espera o sol caído em si descer, quando o escuro finalmente cobre tudo e todos sem alento, com sua parda definição.
4
O Narrador também contempla, respira o café copo de plástico no escritório, afere a conferência. A caraminhola no dedo aponta e indicador ao horizonte amarelo molhado que escapa e opõe o sol à B

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