O Sol nasce literário e tonal, e
derrama prazer irrecusável de livre. Meu coração selvagem está perto de mim e
bombeio um resto de modernismo contra uma Musa já imersa no pastiche
pós-moderno. É a Sereia que vem me cantar uma estrofe em que eu mesmo a compus,
quando acordo cantarolando. Como se ela ñ duvidasse do quanto lhe quero bem,
lavra por um instante as mãos em meu cabelo enquanto lhe desenho uma tatuagem
nas coxas com minha língua de insuspeitos povos, que não existiram, e que eu
mesmo inventei a dicção manifesta, para roubar o gosto de suas palavras de
amor.
23 junho 2013
20 junho 2013
lo que importa en verdad
A. no es
la luz
E.
isso. porque a letra da música diz que..
A. no
es la luz lo que importa en verdad.
E. ñ
sei porque isso,. eu falava. do fato de schoenberg também pintar (∑∂=x≠y). ,ser
amigo de kandinsky até. isso eu sei vai me levar ao construtivismo: e já no
primeiro parágrafo do artigo eu
A. vc
falava sim, mas do comando de válvulas rs
E. ñ..
A. que
já sabia, o problema “ñ” era o comando de válvulas
[silêncio
de uns 12 segundos]
E. eu
to pensando em me desfazer da moto
A.
desfazer do que se gosta lhe parece o que?
E. o
quadro tá empenado, c já teve moto? quando isso acontece...|..e o comando de
válvulas..
A. comando
de válvulas honda, novo. no entanto vc insiste em falar dele para a
E.
ñ...
A. rs
discute mecânica com Ela?
E.
clássica, naturalmente rs
A. rs
talvez Ela lhe fale de dinâmica,
cinemática.. de umaoutra forma, naturalmente rs. o que Ela lhe diz? nisso aliás falta um dos modos, qual seria
E.
estática
[silêncio
de um relógio omega no pulso]
E.
acho q’eu. falo. acabei. falando. do comando de valv
A.
questiona o comando de válvulas sem necessidade.
E. comando
sim.: mecânicos, gente do truco, burocratas, titãns, levitas, leviathans
A. como
comandar uma mulher que “ñ” quer
desobedecer?
E. que
escuridão
A. no
es la luz
E. que
raiva isso como é possível
A. ñ.
o nome disso não é raiva E.
E. nem
tudo é música
A. silêncio
é música, já disse uma vez ao tê-la conhecido. a respiração dos intervalos.. e ñ
se lida com eles sem una poca de gracia... rs hum?
[silêncio
que eu ñ contei]
E.
para bailar la bamba?
A. ñ
se faz música a toa, nem por acaso dela se fala
E.
fazer música é perder o mais importante
A. para
ser cantante é preciso saber perder.
quem não sabe não canta
E.
canta para mim, ó musa, o varão industrioso que...
A. nem
todas as distâncias são homéricas.
E. ñ
seja cruel, hje vamos ficar por aqui? tb quero usar meu tênis mizuno pra sair
correndo. correndo de nunca mais voltar
[pausa
de semibreve]
A.
antes, falavas do relógio herdado, que foi de teu pai. e que nesta semana você
usa. seanmaster 300, me parece. Hoje, vamos ficar por aqui.
19 maio 2013
Nau
Pelo campo de sol à pino minha pele salga
de protetor solar L’Oreal. Desejo a alucinação igual a mordida em meu ombro
esquerdo que me desenha palavras com a língua de um beijo. Caminho até o fim da
reta mar que se esvai no oceano: nau de areia e pedra, pescadores e eu. A
orquestra secreta no tempo do mar já é vasta quando do píer meu olhar é a
figura de proa e se lança às embarcações uma falível sequência de cálculos, um
anônimo nome, uma prodigiosa memória de esquecimentos que canta à Musa o
segredo que os homens ferem nas cartas náuticas pelo exagerado estudo de uma
cintilação solar. Explosões que nos modificam a fonética em um corpo no qual o
prazer e a dor ardem numa epiderme de palavras, as quais em misteriosa
sonoridade se abrem e espalham pelo firmamento fechado à procura do silêncio. Toda
pausa de seminfusa tem dentro o fel de uma saudade em semibreve. Assim o vento
furioso também sonha e aperta as ancas das nuvens quando a densa tempestade é o
jorro de todos os homens e seus idiomas iguais, essa tempestade-pintura que da
ponta do píer estou regendo, maestro de uma solidão terrível. Com minha caneta
Pilot 0.8 na mão direita estou no comando de uma pseudo batuta insólita e os
ventos da preamar jogam contra meus restos de cabelo para trás das entradas da
testa as fúrias que eu já dominei. A pintura viva se modifica e vou manchando
no céu o desespero de uma miríade de sons até que a praia de Camburi acende
minha ganância. Os pescadores olham para
mim com absurdo sem saber, como eu, que é a música de Antônio Carlos Jobim que
nos translada em algum sutil prelúdio às valsas preliminares por onde lhe
desnudo num slowmotion o gosto irresistível que tem o desejo. Tua respiração também tem um andamento e presa
dos meus olhos de si mesma exala o perfume rosa de sinestesias, teu abraço me
vence o pavor da cidade sem memória nem incêncios. Abro as asas pela noite
escura que virá e do lucífogo lamento de homens me vôo vestido de negro por
sobre o baile na casa de festas, por sobre o corte do canal que separa a ilha
de Vitória do continente soldado de Camburi; e se me levo e velo um futuro ao
largo dos cães de boa vontade aro a cruz que carrego quando aceito que tal
futuro é o furo que não me condenará. Da exógena lição que o presente na
civilização encarna por momento me vejo com minha camisa black tie, contudo
volto ao píer onde alucino: és a verdadeira perda e encontro nodal do outro
enquanto a música diminui num fading os pudores da virtualidade até o movimento
silente dos desejos aceitarem novo alfabeto ainda mais nosso: nos segredos
guardados, nas metades de palavras cortadas, nos fonemas que se perdem no gosto,
nas horas que doem de prazer, nos choros que a vida não pôde aplacar:
polifonias, vozes, línguas: os sons desse mar do sal da terra que somos através
do outro.
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