La
fora a delicadeza dos vales, das horas do Sol. Nas estradas a memória
fotográfica vazou sem a errática caligrafia. Meus fantasmas no tempo também se
dilatam, expandem, voltam dele menores. Os sons soltos daqui do orbe em que vôo
no chão ferem de soslaio olhando o que sou quando pássaro em alta velocidade.
Empreendo a lógica concentrada que a força construtivista erige emergindo de si
para sua solidão, sendo a bricolagem de devastações de cafesais e abstrações do
mundo tátil sobrevôo em meu volteio musical aquele menino que deslisa no tapete
de relva até o vale que margeia de tempo a montanha imensa. Minha geométrica
visão da estrada faz o traçado definitivo de uma ultrapassagem enquanto confirmo
que não encontrarei pelo caminho sequer o vulto do lendário caminhão
Mercedes-Benz 1113, vermelho. A direção que a luz da tarde torna a derramar é o
colorido de desejo, e a carne finita dentro do peito bombeia um fluxo denso do
que antes é verbo. Sem palavra avanço mudo e é exato o dia como uma nascente,
uma fúria linda que eu domei com carinho, ou que me deu isso ainda antes que
suspeitasse sua in-possível realidade. No tempo a duração se amalgama e dobra
volátil o dorso da tarde, tautologia sem rosto bancando o surreal. Escuto esse
desejo all sound sofisticado num sopro de voz, o espaço sonoro em uma história
da arte além da visualidade. Escuto os melismas, as contorções e microafinações
de um mundo que não conhece o silêncio, não o aceita. Que sabe que o silêncio
não tem paz.
07 agosto 2012
30 julho 2012
Aula de desenho
A
matemática discreta da
minha tarde está estruturada. E na tabela verdade um cachorro late num dueto com a escola de
balé aqui ao lado. Olho as pequenas telas que as crianças pintaram, colorindo
um mundo afeito ao cinza impetrado. Um dos quadros, intitulado Coração de
amor, todo vermelho com um
coração azul, me enche de água os olhos. Também tem outro, num lilás belíssimo,
mostrando uma joaninha, que tem o título: Felicidade.
23 julho 2012
The Search
Ter
a certeza das coisas que não se vêem. E pelos campos respirar o encontro, a
felicidade também nas monsões frugais. Quando a solitude é vasta e cai sobre si
se devasta o campanário, e no escuro ainda a manhã margeia pequenos vôos, se
espera esperança. Na pisadura do caos no tempo se desfez aquele medo e a vóz
liberatará as poesias erradas. Meus lábios secos contra o ventosul cerram mesmo
quanto calo os olhos com ganância numa oração, e a força cromática do imenso
agora me esparrama; se abro a tarde nos passos de tropeço e dor a dormar o
terreno inóspito que a tudo faz retângulo vivo de nascente vegetação, meu peito
estrangulado tanto permite que eu assopre novamente para o céu a nuvem que me
vazou os olhos.
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