07 agosto 2012

O silêncio não tem paz


La fora a delicadeza dos vales, das horas do Sol. Nas estradas a memória fotográfica vazou sem a errática caligrafia. Meus fantasmas no tempo também se dilatam, expandem, voltam dele menores. Os sons soltos daqui do orbe em que vôo no chão ferem de soslaio olhando o que sou quando pássaro em alta velocidade. Empreendo a lógica concentrada que a força construtivista erige emergindo de si para sua solidão, sendo a bricolagem de devastações de cafesais e abstrações do mundo tátil sobrevôo em meu volteio musical aquele menino que deslisa no tapete de relva até o vale que margeia de tempo a montanha imensa. Minha geométrica visão da estrada faz o traçado definitivo de uma ultrapassagem enquanto confirmo que não encontrarei pelo caminho sequer o vulto do lendário caminhão Mercedes-Benz 1113, vermelho. A direção que a luz da tarde torna a derramar é o colorido de desejo, e a carne finita dentro do peito bombeia um fluxo denso do que antes é verbo. Sem palavra avanço mudo e é exato o dia como uma nascente, uma fúria linda que eu domei com carinho, ou que me deu isso ainda antes que suspeitasse sua in-possível realidade. No tempo a duração se amalgama e dobra volátil o dorso da tarde, tautologia sem rosto bancando o surreal. Escuto esse desejo all sound sofisticado num sopro de voz, o espaço sonoro em uma história da arte além da visualidade. Escuto os melismas, as contorções e microafinações de um mundo que não conhece o silêncio, não o aceita. Que sabe que o silêncio não tem paz. 

30 julho 2012

Aula de desenho


A matemática discreta da minha tarde está estruturada. E na tabela verdade um cachorro late num dueto com a escola de balé aqui ao lado. Olho as pequenas telas que as crianças pintaram, colorindo um mundo afeito ao cinza impetrado. Um dos quadros, intitulado Coração de amor, todo vermelho com um coração azul, me enche de água os olhos. Também tem outro, num lilás belíssimo, mostrando uma joaninha, que tem o título: Felicidade.

23 julho 2012

The Search


Ter a certeza das coisas que não se vêem. E pelos campos respirar o encontro, a felicidade também nas monsões frugais. Quando a solitude é vasta e cai sobre si se devasta o campanário, e no escuro ainda a manhã margeia pequenos vôos, se espera esperança. Na pisadura do caos no tempo se desfez aquele medo e a vóz liberatará as poesias erradas. Meus lábios secos contra o ventosul cerram mesmo quanto calo os olhos com ganância numa oração, e a força cromática do imenso agora me esparrama; se abro a tarde nos passos de tropeço e dor a dormar o terreno inóspito que a tudo faz retângulo vivo de nascente vegetação, meu peito estrangulado tanto permite que eu assopre novamente para o céu a nuvem que me vazou os olhos. 

,.