29 novembro 2010

Cercanias laterais

... O Parreiral é isso, um dentro de nós mais fora que o mundo, que nos trai o nome ou sendo desejo nos traz coisa e plenamente nos faz quando quer a medição mensal incompleta, se é que podemos ser medidos entre distâncias óbvias, banais, porcas e sem sinceridade.

Pelo chão caiado, abrindo o átrio azul ultramar vem até mim seu olhar cinzachumbo que me acompanha à distância sem tiques e até quedar em minha mesa o peso que seu acolhimento determina uso a respiração para me manter vivo.

25 novembro 2010

Tengo una canción para mostrarte

sou nada
irei passar
quando o tempo vão voltar

sou água
chuva e verbos
banais que irão faltar

sou água
pedra par
café corte e horário fraco

sou pedro
galo e estilo
cabelo de joão batista

joão doce
ou moisés de azilo
sou o tesão capitalista

componho
sou o que cantei
fiz você chorar

apolíneo blá blá
boi dormir
sou pra você dar

eu sei
antevi sei que dói
sou a novela de baco

quando vens
sou no veludo erudito
selvagem surto arte revista

memória desejo
depois teu riso pra mim
sou do muito desde o naco

ou cosmo
do monstro que me habito
sou machista

onde dançavas
tuas palavras outra língua
sou exato praia ar

contemplo
nuances que a lua míngua
sou e não tenho lugar

24 novembro 2010

Instrução colateral

Corroer pela lei do cão no mosto. Exortar ao dia nublado em francês. Sanar o poder dos galos do terreiro. Respirar a voz doce dos hipócritas. Reverter o cursor na rosa dos ventos. Disparar a metáfora nos homens rudes. Ouvir as palavras do léxico pífio. Desligar o alarme cozendo a fronteira hirta. Cumprimentar a toa os que amanhã não retribuirão. Admitir a ajuda dos gerentes cegos que riem da cosmovisão na escuta. Apetecer o sorriso meneio de calva em arquivo dos corvos experientes sem terno Hugo Boss. Desmontar a estrutura de melismas e vocalizes. Pintar a sinceridade kitsch no signo das mercadorias. Revelar o sonho das copas das árvores. Conter o tufão violento no claustro. Meter o grito da Musa lá dentro do acorde vagante. Reprisar os filmes de John Ford. Depurar a etiqueta em declínio em respeito aos frangos sem esporas. Volver exausto pelo caminho sem pedras. Enaltecer o riso mesquinho dos bondosos que vieram mentir para nós no casual day. Extinguir a fala quando o Sol da tarde campeia terrível. Aspergir um verbo transitivo sobre o descampado de outro texto. Elaborar o fechamento de um simulacro com horas treinadas. Avançar pelo pulso na escola das facas.

,.