16 dezembro 2018

ἀκρόπολις

153.

Completa, a manhã acende e a mudez das nuvens acima da praia vem sobre os homens; uma falta desprega do cúmulo altivo ou sonho, quando o Poema cai granulaheidegger a nuvem distraída pra morte remix, por fim a chuva lava e acelero. Paro no posto pra recarregar encher o saco de ossos enfiar o tempo do oxigênio e os pneus inflam a motoneta com vaidades abissais outra era de poemas quando deslizam pela cidade o seco de borracha Pirelli até gastar na água; na poça o caminho que fica faltando nela. 

04 junho 2017

Der Erbe


Hoje é aniversário do meu pai. É um domingo calmo e a alvorada acendeu. Os pássaros e os carros despertaram, o som deles esvai longe do dó, ou si, ao sol como que de um outro tempo. Em meu escritório viajo nesse outro que convive, transijo também outra coisa do que fui, campeio o meu próprio campo, essa incógnita, esse terreno ermo que no final talvez me leve a um rio. – uma vez, andando pelo terreno em Chácara Parreiral nós estávamos, eu e meu pai, sob uma tarde de sol ainda alto que nos esmagava contra o chão árido, embora o dorso do parreiral em metáfora ou encantamento parecesse sonhar por nós um capítulo de livro. Ele me explicou que aquele rio que margeia o imenso terreno (que ele havia comprado há pouco tempo), antes fora de tal modo diverso em quase mesma topografia. E que por vezes ele e meu avô por ali estiveram, bem onde estávamos, onde a terra começava a descampar até a água, e tudo era um pouco diferente, um outro lugar.

05 abril 2017

Princípio

O dia amanheceu. Estou acordado desde três e meia, quando o despertador me arrancou do sono para o remédio. Estou no pouco da náusea. Não a sartreana, mas do antibiótico. O efeito desse tempo acordado em que pensei tanta maldade.

Não que fosse uma maldade minha. Pior que isso, da vida que se avizinha e é nossa em nossos atos. A luz do dia não tem dissimulações. O mal estar oferecido pela alopatia faz parte da melhora ignara que trará meu peito sedimentado pelo catarro ao ato esportista na esteira da praia de outono. Na clínica Santa Paula, a Dra Camila avisou que poderia ser um princípio de pneumonia e eu dessa vez me resignei, estou seguindo o tratamento.


Escrevo este recado para que você veja a cena, leitor. Estou sentado no sofá, ao lado do abajur desligado. O livro de Arte Moderna do Argan está no braço largo e deserto que me separa dos novos indexados rumos da arte contemporânea e visto meu moleton preto, descalço, com uma camiseta onde vai escrito I’m ready I’m ready I’m ready. Escute também os ônibus da avenida (chamo de avenida) e o contraponto dos pássaros nas árvores, é uma orquestra. Violoncelos e flautas. Um grande silêncio parece ter vindo.

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