22 agosto 2013

D#


Ah, não existe coisa mais triste que ter paz

E se arrepender, e se conformar 

E se proteger de um amor a mais”

 Baden Powell/Vinicius de Moraes


espera


hje eu sonhei
que o mar levava o meu bateau
e a tua voz
perdida hidra de um amor
se ria do teu trovador
igual
o mal que o mar marulha em cor
real
no medo do navegador
q vai com o que o peito arrebatou
e a flor frágil da voz mortal
é a palavra forte outra nau
que errou
e cai na água que te angustiou
teu nome é dor que espera o sal
escrito no livro da vida,
amor


Em7(13|D#7M9|C#m4aum6|D679|Am47|Dm79|C#m6dim|B4aum6dim9|
A#6|Am7|B7|D#4aum6dim9|E4aum69|C#6dim7|C#6dim|C#6dim/A|
Bm9|A#7M9|Dm7|Dm7/C|G47M9|G47|A#6|C#m4aum6dim|D#7M|
E4aum6dim9|Em4aum6|G79|

29 julho 2013

Roma


Do Parreiral sigo a entranhada soma de entulhos acima da terra na epiderme que os espalha em peças automotivas deixadas pelos tratores Caterpillar depois da terraplanagem anterior. Enquanto a chuva cretina cai, sei que Mariovaldo Emerson fez valer o propósito dos Antônios Associados até emperrar o negócio e negar a assinatura do contrato no cartório Cordeiro & Lobo. Lentamente volto dos galpões geminados num slowmotion Air Moon Safari All I Need, however o Vento Sul que me transladava à propaganda da Richard’s na praia foi engolido pela nuvem chumbo e calai classe média. Caloi, não esquecerás que és agora o homem que tem apenas o corpo como motor e a minha ferrugem quando mesmo diante de ti fizer questão da velocidade desvelará a agonia perene dessas tardes sem um caminho para Roma. Meus passos Mizuno em metódica metonímia esmagam sob a sola a antinga corrente de alternador que serpenteia e nem sente que me envenenou, Caetano. Quando chego ao carro e o computador de bordo me avisa que a aterrisagem se dará à 10 km.: A funesta descida do cimo de Carapina entre o Apart Hospital e o Supermercado São José não poderá ser à cento e quarenta e poucos. E lá embaixo quase já no aeroporto começa minha herança paterna, aliás. Para subverter algum engarrafamento que emperre o trânsito, o ir & devir dos suburbanos corações, enterro o carro dentro de Jardim Limoeiro por trás da avenida principal, e desliso pelas suas costas uma língua desconhecida. A noite caída em si que de bruços estende seu fluxo e lentamente adensa enquanto lhe procuro subitamente se volta para mim com os seios nus e me afaga os cabelos para trás das entradas da testa lendo meus olhos. Nesse ato fulguras uma Lua mágica se depois entrelaças nas mãos as minhas e com olhos amendoados escutas minhas palavras de torpor e ganância pela tua boca, enquanto lá fora o rosa da tarde molha no firmamento rasgado pela lâmina do mar. Esse mar lava em meu coração meu próprio navio de pedra, naufragado e altivo em minha voz em teu ouvido verbo de amor. Lanço adiante o mundo inventado dos livros, avanço com asas negras até margear as bordas da baixada que desce o planalto serrano indo ao happy hour marcado com Johnny, Marlon, Kaspar Hauser, Herbert Farias, Marconi Fonseca e O Lobisomem no boteco da cidade alta; conversa lenta Heineken após o tobogan de cimento me empurrar àquele casario neoclássico: Ser homem é inventar um mundo mesmo impossível, e o musical para mim é o cinema secreto e público se no fim tudo é música quando rapto vc com um beijo síndrome de estocolmo sob a trilha sonora do Massive Atack. Gosto. Somos qual interferência da fantasia no Real. E também reais quando ironicamente passa por nós o Land Rover Defender verde musgo em sentido oposto ao da praia à qual sempre chegamos fugidios de passeatas e romarias. Volto à minha solidão no engarrafamento e escutando música inspiro o ar condicionado, o cd está dentro do  coração do painel e não percebo: Por causa de um agradecimento ao Rodrigo no encarte, comprei naquele sebo da Lama em que tenho conta um album do Lobão, canções dentro da noite escura. Agora o Narrador me sopra igual futuropássarodaqui: Venha, arregimentação do meu maestro soberano.., quando minha ilusão matemática não for suficiente, e todas as formas geométricas não me livrarem de um rio de heráclito e nem poderiam ser mais que o pó; se copacabana, ipanema, leblon, lagoa, jardim botânico, gávea e seu hipódromo de hipongas da Puc sararam os proustianos prazeres e os dias de um Cinema Estação perdido num apartamento em Botafogo. E quando a elegância de um samba canção for a luva para a minha caipira mão de lavrador

23 junho 2013

Le soleil est près de moi


O Sol nasce literário e tonal, e derrama prazer irrecusável de livre. Meu coração selvagem está perto de mim e bombeio um resto de modernismo contra uma Musa já imersa no pastiche pós-moderno. É a Sereia que vem me cantar uma estrofe em que eu mesmo a compus, quando acordo cantarolando. Como se ela ñ duvidasse do quanto lhe quero bem, lavra por um instante as mãos em meu cabelo enquanto lhe desenho uma tatuagem nas coxas com minha língua de insuspeitos povos, que não existiram, e que eu mesmo inventei a dicção manifesta, para roubar o gosto de suas palavras de amor. 

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