07 dezembro 2010

As inflexões da palavra

vestir a pedra quando o peito é doçura

e todas as palavras, aquelas que eu disse...


[vôo no avião
...
controlado
com software windows]

ah,.. diário de sylvia plath, paul klee...
cores e sons nelas, nuestra palabra
siempre oscuridad
o elefante do seminário 1 e todas as palavras,..
as escritas, us que somos love to be loved

...no es la praia lo que la noche buscara
, y mi absurda manera de abordarla
hasta el portal de su casa..
corrida desesperada sem poema na orla
e o corpo vestido iluminura em brasa
esconde na beleza
o grito das fúrias essenciais

04 dezembro 2010

Melismas e misérias

A mensagem que o dia esclarece não tem palavras. Por dentro do cobogó, fachos do sol e sombra desenham no pátio de pedra, pingam causa da imensa copa de árvore que lá está avizinhada. Lá, onde não vemos daqui murados e seu contorno deslindado entretanto é imagem e balança uma anca num vestido. A mulher anda sem precisar olhar para trás. As folhas dessa árvore daqui invisível fazem ver o desenho de uma cintura em silêncio enquanto os pingos de luz acarinham o muro, aos poucos o convencem a despir sua ordem diária, decifram sua selvageria, experimentam seu ombro, derramam nele um fonema estranho com a boca em nuance de música. Do desespero que os personagens falam quando o narrador afunda o rosto nas mãos; estátua sob o chuveiro fervente das sete, espécie de Hermes de mau humor.

29 novembro 2010

Cercanias laterais

... O Parreiral é isso, um dentro de nós mais fora que o mundo, que nos trai o nome ou sendo desejo nos traz coisa e plenamente nos faz quando quer a medição mensal incompleta, se é que podemos ser medidos entre distâncias óbvias, banais, porcas e sem sinceridade.

Pelo chão caiado, abrindo o átrio azul ultramar vem até mim seu olhar cinzachumbo que me acompanha à distância sem tiques e até quedar em minha mesa o peso que seu acolhimento determina uso a respiração para me manter vivo.

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