06 outubro 2007

Living room

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Telefonista,
Não quero teu afago
hoje à tarde
(o telefonema do Santander)
, para minha segurança
nossa conversa estará sendo gravada”

por favor, o senhor Elton está?

...

dizem que Stanley Kubrick filmou os astronautas

...

E os novos cineastas querem sangue
(Godard ainda diz que
homens sensíveis não fazem revoluções e sim
bibliotecas, mas não há tempo para poemas).

...

os industriais financiavam o DOI-CODI

...
Anoiteceu.

... e na TV...
de madrugada os papa-festas
vão mapear São Paulo

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03 outubro 2007

3-outubro-2007

A revisão do meu livro está pronta. A re-revisão e a pós-revisão também. Ao largo disso, um pequeno cansaço me faz pensar que minha vista começa a falhar. Vejo perfeitamente. “Vejo e revisto”. Contudo, as letras se apagam, de forma interior, imaginária. É uma cegueira profunda e de dentro dos olhos, uma cegueira para um mundo meu. O terror de saber que alguém pode cortar os poemas aleatoriamente está me consumindo um pouco, ligo para lá e todos estão no almoço. Gastei tempo e trabalho para chegar nessa conclusão, os gráficos são um problema mesquinho desde Joyce. Novesforanada, bebo um café na tarde amena, respiro e coço a barba por um instante. Espero em silêncio, um pouco mais gasto, leitor de Rilke amadurecido e o sexo rijo de um príapo de metáforas, quando fecho os olhos minha cegueira continua. Estou só. Sinto-me dentro daquele poema de Drummond, meus ombros suportam o mundo.

18 setembro 2007

18-setembro-2007

OS LIVROS... olham para mim, esperam.
Quase sem 1a pessoa
escuto o ventilador hediondo
do PC. A Jornada
de Ulisses não
teve fim, vejo
estrelas no descanso de
tela, olho os lápis de
aquarela, o livro de
Darcy Ribeiro, o fone SONY
igual ao do apartamento
de meu tio Ewerton
EM COPACABANA.
Escuto a cidade
à noite, ATÉ o Leblon, perco.
A ARTE CONTEMPORÂNEA me
olha, entreva meus romantis-
mos do livro de Michael Archer,
de todos os livros,
principalmente
OS NÃO LIDOS, que
são o melhores.

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