Agora alguns dos ônibus que cortavam o Rio de Janeiro foram comprados por uma empresa local. Como fantasmas de desejos da década de 90, começam a atravessar a cidade, desmemoriados que estão na singeleza do Alzheimer.
De manhã quando olho pela janela do ônibus branco com ar condicionado, vejo a praia querendo ser impressionista de inverno. Nesses momentos saco da máquina fotográfica e clico o nublado opaco. Esse sentimento é Radiohead, aconchega frio e jeans, dá vontade de um abraço; essas manhãs que a roupa da gente é isso sem ponto final.
Lá fora o horizonte de ferro trai a praia de Camburi com pose de futuro. A qualidade total de institutos e idéias com estratégias. Hoje de tarde vi num out-door a propaganda; O que você quer ser em 2011? Palestra com o norte-americano Tommy alguma coisa. Pensei em colocar-lhe o sobrenome Nocu. Seria um pseudônimo com a política da qualidade das grandes empresas para com fornecedores.
(Personagem requisitado pelo mercado, americano descendente de japonês: Como um São Deming da pós-mudernidade que ensinaria técnicas avançadas, agora a nós. Borromianos nós.)
Vejo que a gaivota se suicida de mentira, depois volta do mar com o pescoço erguido numa histeria difícil de classificar. Afinal, How to desapear... enquanto isso, pára a lente do jovem quando artista que acordasse onde se retrata menos heróico: ele se perde oceano, sem romantismo, sem corpo, sem verdade, sem roupa, sem memória, sem mágoa.
11 dezembro 2006
14 julho 2006
Presidente
Você pode ver no filme da competição de adestradores que passa na tv a cabo. Enquanto a musiqueta da orquestrinha vai tocando eu ando de lado. Depois marcho. Galopo levitando até a cauda parecer cabelo de novela. Essas modelos. O dono vai lá pra depois dos 50tanos e bebe uísque sentado numa das mesas de arrabaldes, observa à cercania duas moças uniformizadas em branco íntimo. A terceira delas está em cima de mim. Sobedesce escanchada de pernas abertas vestindo obediente um colante de mocinha alva que sabe cavalgar. Permaneço em silêncio obsessivo. Os cavalos não usam palavras.
Como diz o Emerson, Lake & Palmer, Oh... ces´t la vie. Who nows... Se eu fosse americano diria facof, mas sou um bruto brasileiro e quem não gostar eu prendo e arrebento nas patas. Dizem até ter saudade de mim pela internet quando me comparam aos novos. Pra mim, tudo tanto. Um nada. Faço meu número, os ricos gostam de se entreter animais.
Penso enquanto dona mocinha vaivém fodida pela sela. Filha da pátria inteira. Vou marchando... igual um amigo do meu pai que, em tempo de eu menino, marchava pretéritos desfiles ao 7 de setembro em ferradura altiva, ele era importante. Desenvolveu um ar marcial, mesmo entre nós, dizia meu pai com certa mágoa de funcionário público. Com a abertura política, apesar disso, o inchado foi ficando melancólico, tudo perdera força, relincho. Tenho medo de ficar igual. Um mínimo toque de bota e já sei: tenho que sair andando na diagonal direita, ai que vontade de mandar dona mocinha pelos ares. Mas não faço, corto o pátio igual idiota figurante de mim mesmo enquanto aplaudem a jovem. Ela sorri dentes brancos de humildade; agradece, a égua.
Como todo cavalo bem tratado, recebo banho e massagem, além da escova. Tem dias que não resisto.., penso numa potranca vizinha. Dona mocinha olha, parece também fazer comparações usando minha pessoa. Pessoa, eu? Esses humanos. Do outro lado minha contígua se abana, já sabe que existe um destino. (...) Depois de filmado no último evento, virei astro. Ouço que eu estava um verdadeiro animal; Quero você assim animal. Tão delicada essa novilha.
Como diz o Emerson, Lake & Palmer, Oh... ces´t la vie. Who nows... Se eu fosse americano diria facof, mas sou um bruto brasileiro e quem não gostar eu prendo e arrebento nas patas. Dizem até ter saudade de mim pela internet quando me comparam aos novos. Pra mim, tudo tanto. Um nada. Faço meu número, os ricos gostam de se entreter animais.
Penso enquanto dona mocinha vaivém fodida pela sela. Filha da pátria inteira. Vou marchando... igual um amigo do meu pai que, em tempo de eu menino, marchava pretéritos desfiles ao 7 de setembro em ferradura altiva, ele era importante. Desenvolveu um ar marcial, mesmo entre nós, dizia meu pai com certa mágoa de funcionário público. Com a abertura política, apesar disso, o inchado foi ficando melancólico, tudo perdera força, relincho. Tenho medo de ficar igual. Um mínimo toque de bota e já sei: tenho que sair andando na diagonal direita, ai que vontade de mandar dona mocinha pelos ares. Mas não faço, corto o pátio igual idiota figurante de mim mesmo enquanto aplaudem a jovem. Ela sorri dentes brancos de humildade; agradece, a égua.
Como todo cavalo bem tratado, recebo banho e massagem, além da escova. Tem dias que não resisto.., penso numa potranca vizinha. Dona mocinha olha, parece também fazer comparações usando minha pessoa. Pessoa, eu? Esses humanos. Do outro lado minha contígua se abana, já sabe que existe um destino. (...) Depois de filmado no último evento, virei astro. Ouço que eu estava um verdadeiro animal; Quero você assim animal. Tão delicada essa novilha.
27 junho 2006
Atol
A biblioteca está fechada. Estou dentro dela alucinado, pelado e morto. O que mais gosto nesse antialérgico é o slow motion, imensidão oceana e azul. A biblioteca com outras palavras nos envolve púberes aparentemente sem propósito; eu, todos esses editados e algumas sereias. A gente sempre repete, é a praga lacaniana.
Debaixo d´água o mundo é silencioso; estúdio de gravação. Danço tão Manuel como dancei na piscina do sítio em Niterói defronte onde filmaram a Escrava Isaura. Não encontrei Isaura, vi janelas imensas fechando a noite sem o branco na pele de Isaura. Escravas aristocráticas casam com senhorinhos de engenho, sonham com o sofrimento nas mãos do capitão do mato. Os livros abrem pernas seminuas e nessas folhas ensino um eterno nado de peito na borda noturna porque Isaura não sabe respirar.
Jogo pra lá uns livros de Rimbaud, problemáticos por esporte. E essa edição do Dicionário do Folclore Brasileiro, do Câmara Cascudo, agoniza mofada desde o sebo. Dentro dele, na primeira página tem uma poesia horrenda que a última dona colou antes de disponibilizar aos fanáticos. Eu sou isso, fanático. Penso na dona que vendeu o Cascudo ao sebo, onde eu comprei os 2 volumes; Não sei por que razão me importa isso. ...
Mais agora, finda a leitura da graciliana angústia, aquele menino chutando ramos da grande árvore no fundo do quintal alado. Agora está morto. Sem ponto exclamação sou cidadão sem exclamar nada o absoluto de cronologias que a rua lá fora cegou, passam das 3 da manhã de escuro. O texto fechado do rap em francês na música do Sting tem uma nostalgia, enfraquece na cabeça Concorde ou não o jato de sêmen que vai inventar outro mundo. O que tenho está perdido; amigos, continentes, cidades, bacantes, sátiros e florestas.
Danço dentro d´água, drogado de memória. Pior que o memorial é ser visionário. Daqui do sertão pop a vereda mexe os pelos de vento nas pernas. É o sopro do gênio que vence uma terceira margem de outro rio, fecha o livro.
Debaixo d´água o mundo é silencioso; estúdio de gravação. Danço tão Manuel como dancei na piscina do sítio em Niterói defronte onde filmaram a Escrava Isaura. Não encontrei Isaura, vi janelas imensas fechando a noite sem o branco na pele de Isaura. Escravas aristocráticas casam com senhorinhos de engenho, sonham com o sofrimento nas mãos do capitão do mato. Os livros abrem pernas seminuas e nessas folhas ensino um eterno nado de peito na borda noturna porque Isaura não sabe respirar.
Jogo pra lá uns livros de Rimbaud, problemáticos por esporte. E essa edição do Dicionário do Folclore Brasileiro, do Câmara Cascudo, agoniza mofada desde o sebo. Dentro dele, na primeira página tem uma poesia horrenda que a última dona colou antes de disponibilizar aos fanáticos. Eu sou isso, fanático. Penso na dona que vendeu o Cascudo ao sebo, onde eu comprei os 2 volumes; Não sei por que razão me importa isso. ...
Mais agora, finda a leitura da graciliana angústia, aquele menino chutando ramos da grande árvore no fundo do quintal alado. Agora está morto. Sem ponto exclamação sou cidadão sem exclamar nada o absoluto de cronologias que a rua lá fora cegou, passam das 3 da manhã de escuro. O texto fechado do rap em francês na música do Sting tem uma nostalgia, enfraquece na cabeça Concorde ou não o jato de sêmen que vai inventar outro mundo. O que tenho está perdido; amigos, continentes, cidades, bacantes, sátiros e florestas.
Danço dentro d´água, drogado de memória. Pior que o memorial é ser visionário. Daqui do sertão pop a vereda mexe os pelos de vento nas pernas. É o sopro do gênio que vence uma terceira margem de outro rio, fecha o livro.
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