04 maio 2005

Azul

Impenetrável
A palavra é clara
Sua lógica permanece mutável.

Há um silêncio devastador
Nos fonemas sem tragédia.

Seu significado à outra lavra.

É cor e, quase palavra
- ela é cara,
Impraticável.

29 abril 2005

Ópio

0

Nave
no elevador eu era
igual a todos os outros
/

a letra minúscula
parece bicho, verme.
Esses novos heróis que não lêem.


Eu era igual.
Quase todos os carros luzem, é noite
para saber entre Adorno ou Marcuse.
O atonalismo da letra,,,
.

O vôo
saber, o que seja.
Air... (le soleil est près de moi)

Ave seca
dissipada na treva com estrelas.
O oxigênio

era igual.
Hoje eu quero apenas gozar, é noite
para saber,
deixa entrar.
/

-2; -3; -5; -8; -9; -10; -12... Etc.

20 abril 2005

Véspera

Puto Matão usa a capa curtida quando sai à caça e dentro pé alto botina vale e ervas à sombra da morte pisante aço, depois abre à faca. Sem dó no coice, remédio comprimido enquanto parte o verde procurando o maldito com o dedo no cão. Capataz marrom das ordens de Tião Donato, homem de ferro e palavra que evento leva também ouvinte de seus resmungos. Os homens trabalhando são débeis e repetem caminho na trilha aberta pelo encapado. Escurece e o cabo da enxada descansa em véspera de Tiradentes. Quando o galo cantar ninguém vai saber as vezes que Puto Matão negou passando mão no cabelo em tosa; resmungo e maldade. Olhos mortos às moças, Casa da Lanterna Roxa em Jardim Limeiro é peste à paga quando o corpo do pião amanhece furado.

O botequim nojento do Bobô reune os coitados, fazendo jogo e maquinetas. Nesses dias mais fúteis Tião Donato, ex mecânico do laboratório de cores, acende o cigarrinho Free. Puto Matão teve o maço afanado; ri, faz caretas, macaqueia. Agora que Donato é chefe, acode bebendo e Puto Matão gosta, participa. Os coitados bebem; dentes. Cada macaco no seu galho. O Bobô serve mais uma quando Puto Matão levanta chamando Tião Donato pra Casa da Lanterna Roxa.

A menina vai sentar no colo de jeans enquanto outra estribucha um remix no palco. Tira Calcinha Neném vai observar altiva; coordenadora de todas elas, garbosa senhora ainda esbelta nas escostas decote pelos 50 anos. Cair de pregas da noite não descura o português clássico e marvada a carne emana; chupeta e peitinho paga mais caro. O remix pisca mais luzes colorentas da Casa da Lanterna Roxa. Os coitados agora dançam entregues à sua felicidade idiota.

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