09 junho 2011

19 maio 2001, biblioteca setorial 10:45 am

Ponto, linha. Plano. A geometria de uma catástrofe. A afta no lábio inferior. Rajada de dores ou relâmpagos com a tonteira que dá não comer nem dormir direito. A convivência com abutres, hienas, fez um efeito. A ciência do meu texto para ninguém é uma prova em prosa, pequena amostra de laboratório que revela uma metástase social. A inexistência é isso: ser tão estrangeiro em tudo, e perder tudo, seguidas vezes. Por isso. Uróboro mesquinho, a invisibilidade de quem somos nos atravessa também, e vai errante onde estamos já aniquilados num eclesiastes total, ermo, hipócrita, banal.

Essa angustia cinza, que de quando em quando se transforma no real da vida, no lodo, no mar de sargaço. O Álvares de Azevedo démodé. As asas do poeta, que Baudelaire diz impedirem de andar. A perda. Perde-se sempre para espíritos cretinos, pífios. É isso que vale:

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