08 abril 2008

Corações Vespertinos

Espero. A calmaria da tarde. O implacável motor da 125 do homem vizinho. Porteiro do prédio comendo pão da tarde. E as pradarias que transam no muro do condomínio não sofrem. A senhora que procura o Sr. Eliseu. Orelhão perto do bebedouro Masterfrio. Adolescente de 35 anos que sai para malhar. Camisa do colégio americano. Paz da tarde. Paz mortal. Rabisca no cahier d’artiste o cenário Art Dèco, o pós heavylove, a falta de inspiração. O aluno que não está, este será o seu nome, não surge por encantamento na portaria. Encantos não existem mais e Mark Twain fique lá. Onde o Magaiver não me ensina a desatar os nós, e a força borromeana que empurra o homem velho até o bloco k é uma ninfa. A dona gorda que fuma dentro do Corsa velho, a chapa retangular no chão é da companhia de telefone, tudo é texto, personagem. O motoboy que chega (Tiago, da contabilidade) é tão provável que dá a esperança da clarividência. Meu cabelo comprido voa louco e joga nas costas o vento que as musas gostam de pegar com sal. Enquanto me contam estórias decifro-as a dor. Depois faço dormir, levanto. Olho para o céu

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