15 março 2005

Terça-feira em Manguinhos

Do Enseada, olhando o 2º andar da casa, eu mordo uma pêra. Ela racha nos meus dentes
e lá fora é só mar
O garçom traz o chope mal tirado dos capixabas

Esqueço o copo sem gosto... tarde descampada que cai só corpo de baile. O pano branco da mesa mancha de maresia

O sumo da fruta que minha boca vence até o fim meu entretenimento
... Acordei surpreso hoje de manhã, certo de ter feito errar os olhos num rosto descarado. O garçom

olha minha fome enquanto escrevo sem tempo a perder
A língua de brisa que lambe os pelos das minhas pernas não tem futuro e seca de repente

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