desde que és
la noche en su fuga
a través de los campos
(la noche
establecida, mujer,
después luna)
costa encarpada
fuego del sol
y la brisa del mar
en la playa
con un gesto, viento
16 março 2011
Hortelã
15 março 2011
When the levee breaks
Tarde de março. Escuto o vento de chuva. Casa revirada pela obra, escrevo recostado na cama, luminária que veio para cá. O reboco do corredor é feito agora, por onde se estenderá o multi-cabeamento protegido por uma mangueira Tigre Flex amarela à largura de uma polegada. Todos esses cabos acenderão apetrechos com a bela causa da internet wireless, assim também meu estúdio remontado. Escuto a chuva chegar, o bairro conversa consigo mesmo, barulho dos carros que passam coloridos lá embaixo quando cortam a rua como pequeno rio desbravado por um Land Rover verde musgo. Esse Defender, capota branca, 4 portas, com rodas largas pintadas de preto-mau e película escura nos vidros seja o artefato “onde me queres romântico, burguês” desbravador de uma selva, para a qual irás raptada nele, when the levee breaks, observando meus gestos de motorista experimentado no Rallye da Praia do Canto, do que rirás de um prazer criança com doce. Tua risada é minha sinestesia enquanto escuto as cores. Aproveito a citação de Stevenson ou Kipling que não farei para avançar sobre uma estrada de terra, barrenta e ladeada pela mata que anoitecerá conosco antes de chegarmos à grande planície. Estaciono ali mesmo sem enxergar palmo de chão à frente, lá onde estamos sem desconfiança lúcida de sou eu que nos escrevo recostado na cama, ventilador de teto rodando ganancioso teu vestido verde claro ou florido em pequeno corte lateral que me faz a respiração andante na felicidade de tua coxa esquerda. Eu te olho num espasmo que sorri com os olhos, até que consigo o rosto lívido, ensandecido e cauteloso. O som da chuva agora é uma torrente impiedosa e estamos cegos, água que estala por fora do carro enquanto dentro dele nós já falamos lentamente com vogais
02 março 2011
Sal da terra
Sob céu caiado
sub5 tonal
o sepulcro cantado
é igual.
Sou bem educado
subway banal
aceitei o enfado,
o bem.
Quando a cidade
sublunar, letal,
descansar o Estado
sem pau
palíndromos torpes,
submissa nau
desde Vasco sado
em mal
vier bem cortado
terno, nó frugal
destituir o nome
do pai,
e Seu Anchieta,
escriba sacal,
for reensinado
colonial,
estarei ilhado
na hora seca
da Praça Oito
universal
em meu estado
subsolar plural,
índio alvejado
e carnaval.
Sob céu nublado
rádio igual
o lixo safado
é tal...
pulso ensinado
sem ouvir:
toda esperança
é tonal.
A vereda só
dos homens que repartem
torna-se pó
de sal.
sub5 tonal
o sepulcro cantado
é igual.
Sou bem educado
subway banal
aceitei o enfado,
o bem.
Quando a cidade
sublunar, letal,
descansar o Estado
sem pau
palíndromos torpes,
submissa nau
desde Vasco sado
em mal
vier bem cortado
terno, nó frugal
destituir o nome
do pai,
e Seu Anchieta,
escriba sacal,
for reensinado
colonial,
estarei ilhado
na hora seca
da Praça Oito
universal
em meu estado
subsolar plural,
índio alvejado
e carnaval.
Sob céu nublado
rádio igual
o lixo safado
é tal...
pulso ensinado
sem ouvir:
toda esperança
é tonal.
A vereda só
dos homens que repartem
torna-se pó
de sal.
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