23 setembro 2011

Planalto

Depois disto, o caminho árido diário escapava de seu pretérito imperfeito e me vi na grande reta de Carapina, onde os homens decolam carroças e autos numa ascendência. Pela verve da força e do corpo das máquinas, quando não de palavras que podem ser ditas, a vastidão do planalto vem mansamente e a maturidade nos estende em linha reta: a construção, a máquina que tenta melhorar o mundo, e consegue, o fará quando o Carnaval de outro lugar passar. Assim a cento e quarenta não é possível pensar o que é a canção, homem songwriter. O vento campeiro que devasta a subida até o cimo onde se entranham de cada lado o Apart Hospital e o Supermercado São José liberta no ar pequeno tornado de poeira, folhas mortas, papel plastificado com propaganda de condomínios para o nova classe média serrana. Acelero a coisa mortal que nos venceu a história desde eras pássaras na ganância de um sistema de erros com a solidez da palavra management, diletante nome de revista e o nosso teatro aceita a bondade dos tecnocratas. Às portas da nova estação a lenda Weather Report particular é um perfume ancestral Highlander do Hugo Boss nº 1 que não importa mais. Ceguei meus olhos para ti, cidade sem sol nem frio, de tristeza e silêncio esperei por teu nome, dediquei-lhe o livro jogado ao vento; o vento é a única coisa que tens. Agora que chego nesta sala de paredes brancas, casaco negro abraçando a poltrona giratória, ar condicionado com intervalo de sexta, copo de café na mão esquerda, relembro como um poema a matemática de Georg Cantor enquanto sei, já disseram, que una recta, por poco que sea infinita, tendremos que volver en el curso del año sobre lo que es este infinito, tendremos que volver a hablar de qué es una recta, en qué subsiste, en qué, si se puede decir, ella es pariente de un círculo.

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