04 setembro 2005

30-agosto-2005

Escrevendo de noite, o frio pequeno sorve-nos; varanda, nuvem e homem. O relógio de pássaros silenciado não desperta. Os barulhos que a madrugada não desmonta, para o fim do horizonte, o que seja o sonho gasto das gerações. E o corpo impregna; de vigília azul profundo e escuro, tão incógnita quanto nascer. Às nuvens que acendem o firmamento em descanso o lance de olhos cegos. A sala quieta, por seus quadros estala desejos. As telas, o que atravessa tão música compondo, ... e depois crônica do antes disso. Poeta, antecipando sabores, fomes, leituras. São os olhos que fecham sem contos de fadas, prostitutas de luxo. São pássaros que não calam, o bico vencendo o sono desfiando chatos comentários; e a buzina do navio petroleiro, do trem de minério: fantasmas do silêncio no cotidiano dos homens de bem.

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