o nome ex-iste
é tanto o cais
se mundo ecoa
a banda é fullgás
a platéia desiste
e suborna e abençoa
sorrindo até mais
depois vaia cidade
(centro, moscosais)
feita trânsito em riste
atropela e perdoa
quem vem alma nobre
ou legando verdades
vá sumir sem mais.
de repente a cobre
uma média boa:
registros, anais
sua classe de esmero
aceita quem faz,
entroniza à toa
beleza e maldade
bate estaca ou bolero
desde que pague mais
e sorria ao pobre
e coma a preta boa
e encene Quo Vadis
até ficar triste,
a vitória entoa
seus festivais;
óh venham artistas
vós editais
o titiu rubem fausto
no dorso do estado
vós sois os turistas
très chic do gado
revolucionários
com sua butique
finjam niilistas
de cu exausto
aos operários
da cultura wiki
14 Novembro 2009
30 Outubro 2009
Contemporâneo
2. carência de nome
3. ausência de corpo
15. falha administrativa
4. disparate público
18. perturbação musical
16. lacuna de processo
11. excesso de bondade
13. sobra de panos quentes
1. falta de palavras
5. farsa de amor pelos filhos
19. falta de pau
14. viés de protocolo
21. insuficiência geral
8. excesso de nome
7. sobejar de vaidades
9. transbordamento de água
6. falta de carinho com os pais
17. carência de corpo
22. falta do próximo
10. fala sem leitura
12. redundância com respostas
20. loby para coisas legais
23. falta de arrependimento
3. ausência de corpo
15. falha administrativa
4. disparate público
18. perturbação musical
16. lacuna de processo
11. excesso de bondade
13. sobra de panos quentes
1. falta de palavras
5. farsa de amor pelos filhos
19. falta de pau
14. viés de protocolo
21. insuficiência geral
8. excesso de nome
7. sobejar de vaidades
9. transbordamento de água
6. falta de carinho com os pais
17. carência de corpo
22. falta do próximo
10. fala sem leitura
12. redundância com respostas
20. loby para coisas legais
23. falta de arrependimento
27 Outubro 2009
Spleen et Idéal
. 40 anos?
. Sim
. (consulta o monitor).. pensei que fosse engano..
. Não, fiz 40 há um mês
. Não parece
. Eu sei
. Mas, então, o que lhe traz aq..
. Quero engordar.
. Entendo (olhando), vamos pesar
. Vou ficar com as meias
. Claro, coloque os pés um ao lado do.. isso..
. Então
. ;Pode engordar um pouquinho sim..
. Quero fazer musculação.
. Musculação ou natação no seu caso pod.ria..
. Musculação.
. Geralmente músicos preferem natação..rs
. Chega de nadar, a juventude acabou.
. Também não é assim! Olha, vou pedir exames
. Sim (?)
. Que tipo de música você toca?
. Todo tipo, não tenho estilo.
. Violonista? To vendo as unhas na...
. Na Arte não posso fechar o punho, melhor ser da paz
. Qual teu plano?
. Fazer sucesso
. Sim, mas o de saúde?
. Esse.
. Sim
. (consulta o monitor).. pensei que fosse engano..
. Não, fiz 40 há um mês
. Não parece
. Eu sei
. Mas, então, o que lhe traz aq..
. Quero engordar.
. Entendo (olhando), vamos pesar
. Vou ficar com as meias
. Claro, coloque os pés um ao lado do.. isso..
. Então
. ;Pode engordar um pouquinho sim..
. Quero fazer musculação.
. Musculação ou natação no seu caso pod.ria..
. Musculação.
. Geralmente músicos preferem natação..rs
. Chega de nadar, a juventude acabou.
. Também não é assim! Olha, vou pedir exames
. Sim (?)
. Que tipo de música você toca?
. Todo tipo, não tenho estilo.
. Violonista? To vendo as unhas na...
. Na Arte não posso fechar o punho, melhor ser da paz
. Qual teu plano?
. Fazer sucesso
. Sim, mas o de saúde?
. Esse.
20 Outubro 2009
Estacato
Hoje o mar recuado de Camburi é bonito. Suporta o peso posto do horizonte de ferro a derramar ernesto minério sobre a cidade presépio - a importância de ser prudente admoesta; rasguei de moto a praia lavada, mas fotografias de motociclistas não aram bem a saúde, eu que, justamente ontem fiz exames,. 4 ou 5 ampolas que Bram Stocker poderia ter escrito em seu diário polifônico. Já meu diário de imagens acautela estacado qual aquele som, o quem pinga I belong to you. Persiste igual memória o relógio Omega no bolso, meu arado de poemavisual sedimenta cidades; kravitz ou kafka vãos ícones sãos para sereias cantando no filme do mar, o gosto do sal,.. quando fazem mimosa propaganda em seu desenvolvimento sustentável recebem merecida paga, anunciam glamour às corporações.
18 Outubro 2009
Eclesiastes
Os vizinhos numa festa largam a música 7,10,13 vezes. Em Vocoder a voz repete beautiful no fim da monótona dicção. Tempo das vozes artificiais. Com meu ouvido de dentro da cabeça, o i-pod cerebral imune ao mundo, mesmo com ele, fui convencido a escutar. É a tentativa de felicidade dos outros, a desesperada boca que gargalha sem querer saber da fome que a aniquila. É Blood Mary e Jack Daniel´s num pega no escuro. É a noite de sábado pronta querendo ser puta;.. Mas tem cara de Nossa Senhora Padroeira dos telespectadores com o remoto controle de TV aberta, cabelo lambeu de santa: Geração Orkut, filha da geração Jontex, filha da geração Neston. Onde estavam as estrelas? O céu da noite, véu objetivo quase sem rosto, não deixa-vá ver nada porque está nublado.
13 Outubro 2009
Outubro
Postado sobre intempéries, deixo um escrito,.. sal, marés, praia vespertina,,.. */sob o sal da terra/*.., entre carros de torto trânsito, homens emparedados na TV e o corpo contrágua do mar ; ...deito sobre ninfas do fim azul que horizonta o céu vermelho quando a cidade derrama ferro, ferro, ferro sustentável; o pó de estrela é ferro insuspeito na respiração das crianças., Qual mal virótico que aos transeuntes ausenta da praça? As amenidades tolas de homens credores da honestidade hoje são iguais aos sorrisos que anunciam planos de saúde. Vocês, da imbuia calejada, do cravo roto ao pós-moderno rosto ileso à perdição, a madeira que era pra ser de lei, mas é covarde.
12 Outubro 2009
Perda
Hoje soube da morte do poeta Miguel Marvilla, ocorrida na madrugada do sábado, 10. Deixo aqui meu surdo lamento pela perda de um dos nomes da literatura do Espírito Santo. Ao lado de Sérgio Blank, Waldo Motta e Reinaldo Santos Neves, Marvilla era/é, também em minha opinião, um dos nomes da literatura do Brasil.
30 Setembro 2009
Nocsom
O executivo no cel com a secr sol etra r de rua m de mijo. Dr. Hugo Boss rescende cafeína e cartazes de filmes; um deles o homem do cinema cola cabeça pra baixo, outro alado do vidro. Nesse momento o executivo me pergunta: é de cabeça pra baixo mesmo? essa arte de hoje em dia... (risos); eu digo pergunto mesma coisa. O Sol queima a cidade, estamos ilhados. Deixo café e mesa, indago ao homem do cinema quando cola incauto cartaz dentro emparedado no vidro que nos separa, rosto que se enganou. Desprega lento a mente do retângulo negro, veloz observa-nos lado de lá. A palavra escrita na vera é Moscou, não Nocsom (de cabeça pra baixo o u parece n). Averiguo o vestido leve da tarde no título de Heidegger, “A caminho da linguagem”, respiro o café expresso, a lembradura intensa que no tempo é uma duração ideoBergson. Setembro chega ao fim, jusqu'ici tout va bien. O roteiro que a tarde filma impregna secreto. O MP3 toca provas da gravação Jardimbotânica do meu CD w/inprogress. O circuito ideológico dos universitários não sabe que foi demolido por Cildo Meireles.
24 Setembro 2009
30 julho 2009, Moleskine
Engulo a tarde com o café expresso. A cabeça é um baile de cefaléias. A Praia do Canto absorve uma cor sensacional.
Como estacionei a motocicleta numa vaga, os automotoristas empacam assim mesmo, deixam o rabo do carro na rua. Espero à mesa casta o calo vespertino arrefecer o sentimento do bem-te-vi assassino.
Venho de perto e de longe; Walt Whitman sem novaiorque. Carro perto que vomita o lixo musical do Brasil sem querer; só por existir esse auto é para fora de si. Observo, tomo nota, reporto o cantoamimmesmo no tanto que sou.
É a crônica possível que persegue. Não é mais. Na mesa ao lado o homem do relógio Breitling fala à mulher sobre o feijão cozinhar. É um mundo de receitas, afinal.
22 Setembro 2009
Sing to me oh Muse
A cor lenta leva o parreiral de tarde casual day. O comentário perpetuado do refrigerador ém riste;.. por momento os urubus no céu longe e a maturidade já prenhava quando chegou um juriti. Assim corpo baio e som emaranhados no corte da mata que horizonta o limite do campo, sendo nós antes sortilégio inscrito civilização pó. Os sons do descampado vencem o átrio e reverberam na sala solta que arrevoa sempontoação pelo parreiral caiado, té que o sonho caia mesa flyer escriturado “você já sabe tudo sobre um Mercedes-Benz”.
22 Março 2009
Epicentro
A dor é enfeite para o gozo feliz. Mas não se espera do gozo propriamente felicidade e a noite está indo embora. Ara no céu a ceia crua.
António é literatura. Uma página pode cerzir sua voz. Mas a voz do outro é difícil de apreender, verificar.
Já procurei protagonistas, desvaneceram. António, herói do livro. Reconheço gostos e gestos que fazem de um ser qualquer uma pessoa iluminada. Resiste nelas, por um hiato velado, uma eternidade. Aos poucos, no entanto, os heróis sofrem da veleidade moral que impede a estória de continuar.
Sinto a noite por dentro, solidão. Os bares, restaurantes, oferecem combustível e degustação, o poder de um certo vício da gula ao errar criaturas elegantes. Sei que frases como esta não me levarão a lugares melhores, tento novos caminhos para encontrar a personagem central, achar o centro. O epicentro da vertigem chamada livro. A construção da estória agoniza provável, errática. Descreio das possibilidades encerradas na vida de António, sua existência é assunto que não está em meu alcance. Volto para casa, escuto um pregador, subtexto entronizado, quando pela renovação das nossas mentes transformamos o mundo:
Virá uma metalíngua capaz de dicernir joio e trigo: lançada às mãos dos leitores, palavra por palavra de um pecador, e os campos dourados de girassóis e os fonemas que serão levados pelas palavras serão cores diáfanas, belas, únicas,...
Entro em casa. É uma cama estreita que espera a noite de novembro. Essa pregnância de escuro espera e cala minha história, guarda suas folhas brancas na gaveta, absorve minha chegada enquanto a metrópole explode de torpor sem mim. Excêntrico demais para achar o fio condutor do caminho de uma escritura, resto também eu sem ela. Secretamente, observo minha impossibilidade de contá-la, apago o nome do personagem, vou até a janela, acendo o penúltimo cigarro.
António é literatura. Uma página pode cerzir sua voz. Mas a voz do outro é difícil de apreender, verificar.
Já procurei protagonistas, desvaneceram. António, herói do livro. Reconheço gostos e gestos que fazem de um ser qualquer uma pessoa iluminada. Resiste nelas, por um hiato velado, uma eternidade. Aos poucos, no entanto, os heróis sofrem da veleidade moral que impede a estória de continuar.
Sinto a noite por dentro, solidão. Os bares, restaurantes, oferecem combustível e degustação, o poder de um certo vício da gula ao errar criaturas elegantes. Sei que frases como esta não me levarão a lugares melhores, tento novos caminhos para encontrar a personagem central, achar o centro. O epicentro da vertigem chamada livro. A construção da estória agoniza provável, errática. Descreio das possibilidades encerradas na vida de António, sua existência é assunto que não está em meu alcance. Volto para casa, escuto um pregador, subtexto entronizado, quando pela renovação das nossas mentes transformamos o mundo:
Virá uma metalíngua capaz de dicernir joio e trigo: lançada às mãos dos leitores, palavra por palavra de um pecador, e os campos dourados de girassóis e os fonemas que serão levados pelas palavras serão cores diáfanas, belas, únicas,...
Entro em casa. É uma cama estreita que espera a noite de novembro. Essa pregnância de escuro espera e cala minha história, guarda suas folhas brancas na gaveta, absorve minha chegada enquanto a metrópole explode de torpor sem mim. Excêntrico demais para achar o fio condutor do caminho de uma escritura, resto também eu sem ela. Secretamente, observo minha impossibilidade de contá-la, apago o nome do personagem, vou até a janela, acendo o penúltimo cigarro.
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